O vozeirão da cantora carioca Elza Soares interpreta a dor-de-cotovelo de Lupicínio Rodrigues hoje, às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil no quarto e último bloco de homenagens aos 90 anos do nascimento do boêmio compositor gaúcho. A série intitulada simplesmente Lupicínio apresentou no palco do CCBB nomes como Zé Renato, Walmor Pomplona e Elza Maria.
No encerramento, a considerada Bilie Holliday brasileira apresenta um show exclusivamente de canções de Lupicínio em dueto com o cantor e percussionista carioca Jorge Moreno, acompanhada pelos músicos brasilienses José Paulo Becker (violão) e Luís Filipe de Lima (violão 7 cordas, sopros e bateria).
Elza Soares e Jorge atravessam juntos os versos melancólicos do cantor desde a época de ouro das grandes gravações do samba-canção nas décadas de 30 e 40 (Se Acaso Você Chegasse, Pergunte aos Meus Tamancos e Briga de Gato) até os eternizados sambas das décadas de 50 e 60 Torre de Babel, Amigo Ciúme, Volta e Triste Regresso.
Depois de revelada por Ary Barroso, Elza visitou uma carreira de sucessos muito diferente da vida que conheceu na infância (quando passou fome e chegou a mamar nas tetas das cabritas do juiz de futebol Mário Vianna. Depois de apagada da mídia durante a década de 90, a cantora voltou a todo o vapor no ano passado com o lançamento do bem-sucedido álbum Do Cóccix ao Pescoço.
O retorno triunfal de Elza veio junto com um projeto de levá-la aos cinemas no longa-metragem Elza – Cantando para não Enlouquecer, já orçado em R$ 2 milhões. O filme será dirigido por Wolney de Oliveira, com roteiro de José Louseiro e produção da paulista Isa Castro.
O roteirista e a produtora assinam também um documentário sobre Garrincha, no qual a participação de Elza é inevitável. A cantora e o jogador botafoguense de pernas tortas formaram um dos casais mais famosos da década de 60 e viveram juntos por 20 anos, até o falecimento de Mané Garrincha, em 1983.