Os tempos foram difíceis para a jovem aspirante a cantora Elza Soares nas décadas de 50 e 60. Nascida numa favela carioca e mãe precoce (aos 13 anos), a ousada Elzinha modificou a forma de cantar bossa nova e deu um novo ar para o samba com seu segundo álbum Bossa Negra, de 1962. Passadas pouco mais de quatro décadas, a então experiente voz rouca do morro reafirma o discurso militante em prol da música brasileira de raiz e saboreia o sucesso internacional do novo álbum, Vivo Feliz, o qual lança hoje, em show gratuito no projeto Vitrine MPB.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, Elza Soares fala um pouco de seu romance com a música eletrônica e remete duras críticas à indústria fonográfica e à concessão do jabá nas rádios (pagamento feito por gravadoras ou empresários para que determinados artistas tenham maior tempo de execução radiofônica): “O Rappa e Cidade Negra fazem sucesso. O rock faz sucesso. Mas onde está o samba? Como um público pode estar voltado para o samba, se a indústria não está e se as rádios não tocam?”, critica.
Elza Soares não fez diferente de outros grandes medalhões da MPB, como Bethânia e Djavan, e aderiu aos selos independentes. “Viva o Lobão por essa iniciativa. Ele ficou marginalizado, mas fez o certo. Já venho há muito tempo aderindo à criação dos selos”, conta a intérprete, que lançou seu álbum mais recente pela desconhecida Tratore.
Quando questionada sobre a atuação de Taís Araújo (no papel da cantora), no filme Garrincha: Estrela Solitária, Elza foi enfática: “Eu gosto é de falar de Elza. Eu como Elza, bebo Elza e meu nome é now. Eu sou o aqui e agora. Vamos falar de Elza”. Afinal, ela é a estrela da noite. Portanto, falemos de Elza.
Vivo Sorrindo deixou o Brasil e viajou a maioria dos países da Europa, com boa repercussão. De volta à terra natal, a turnê do disco chega pela primeira vez a Brasília. A estréia na capital será popular: de graça, na praça central do Pátio Brasil. A idéia agrada muito Elza, entusiasta de