A atriz Ellen Burstyn, vencedora de um Oscar e de um Tony, indicada para vários Globos de Ouro e um Emmy, e co-presidente do famoso Actors Studio, não está muito satisfeita com o desempenho dos atores americanos da atualidade.
Ela não citou nomes, mas Jack Nicholson, Matt Damon, Leonardo DiCaprio, Mark Wahlberg e Alec Baldwin podem respirar tranquilos. Ela adorou a atuação deles no novo filme de Martin Scorsese, Os Infiltrados.
Mas Burstyn continua acreditando que a participação dos atores em programas de TV contribui para baixar a qualidade do seu desempenho, já que os astros vivem correndo de um estúdio para outro, sem tempo de aperfeiçoar seu talento nos palcos.
"Atuar? Eu acho que essa atividade precisa de ajuda", afirmou a atriz numa entrevista à Reuters. "A TV diminuiu o padrão de qualidade. Com as agendas cada vez mais apertadas, tudo é feito às pressas. E a qualidade acaba prejudicada".
A Broadway, afirmou Burstyn, está em péssima forma. "Estou chocada. Eu vi algumas coisas tidas como boas. Mas elas eram terrivelmente ruins. Não posso indicar nada da Broadway".
A atriz, que acaba de publicar um livro de memórias, Lessons in Becoming Myself (Lições de me Tornar Eu Mesma), conquistou o direito de criticar. Em seus 50 anos de carreira, atuou na Broadway, em Hollywood e na TV.
Recebeu o Oscar de melhor atriz em 1974, por sua participação no filme Alice Não Mora mais Aqui. Foi indicada seis vezes ao Oscar, sete ao Globo de Ouro e uma ao Emmy. E recebeu um Tony pela peça Same Time, Next Year (Na Mesma Hora, no Próximo Ano).
A indicação ao prêmio Emmy gerou polêmica porque se referia a um papel minúsculo desempenhado pela atriz no filme para TV Mrs. Harris. Nesse papel, Burstyn aparecia por 14 segundos e falava 38 palavras. Ela não recebeu o prêmio.
Burstyn foi a primeira mulher a presidir o Actors Equity e é co-presidente, junto com Harvey Keitel e Al Pacino, do Actors Studio.
Foi ali que ela estudou com o lendário Lee Strasberg, criador da técnica conhecida como "O Método", em que os atores olham para dentro de si mesmos a fim de encontrar a verdade emocional de uma cena, usando seus próprios sentimentos.
Tida como uma das atrizes mais sofisticadas dos EUA, a carreira dela conta com filmes como A Última Sessão de Cinema, O Exorcista, Providência e O Rei de Marvin Gardens. O último filme dela, The Fountain (A Fonte), com Rachel Weisz e Hugh Jackman, está sendo lançado neste mês.
Como Dirk Bogarde, que participou junto com ela do filme de Alain Resnais Providência, de 1976, e cuja autobiografia é considerada um padrão de excelência em Hollywood, Burstyn escreveu suas memórias sozinha.
"Eu escrevi tudo a mão", afirmou. "Sinto-me mais confortável assim do que com uma máquina de escrever ou um computador. Este não é o meu século. Se pudesse, eu ia passear por aí de cavalo ou de charrete".
O livro narra como Edna Rae Gillooly, nascida em Detroit durante a Depressão, afastou-se da mãe dominadora e de uma educação católica para transformar-se em uma grande estrela de Hollywood.
A atriz também escreve sobre assuntos como o amadurecimento espiritual e viagens ao redor do mundo em busca de iluminação, busca essa que a levou a abraçar o sufismo, uma vertente mística do Islã.
"É algo incomum que uma celebridade escreva seu próprio livro, mas eu odiaria se outra pessoa escrevesse minha história. Isso é uma coisa muito pessoal", afirmou Burstyn. "Estou cheia de dúvidas agora. Será que eu tinha de ser tão franca? Mas a gente conta uma história como ela se passou. Se vocês não gostarem, o que posso fazer? Foi assim que tudo aconteceu".