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Edwin Luisi chega à cidade com o premiado monólogo <i>Eu sou minha própria mulher</i>

Arquivo Geral

15/05/2009 0h00


Por Anna Beatriz Lisbôa, da redação do Clicabrasilia.com.br


O palco do Teatro da Caixa recebe a partir desta sexta-feira (15) a peça “Eu Sou Minha Própria Mulher”, monólogo estrelado por Edwin Luisi, que fica em cartaz apenas neste fim de semana na cidade. A peça, dirigida pelo também ator Herson Capri, venceu todos os prêmios de 2007 no Rio de Janeiro, incluindo o Prêmio Qualidade Brasil nas categorias melhor ator, melhor direção e melhor espetáculo do ano.

Com texto do jornalista e dramaturgo norte-americano Doug Wright, o espetáculo conta a história real da simpática Charlotte Von Mahlsdorf (1928-2002), que, durante a Segunda Guerra Mundial e o subsequente regime comunista da Alemanha Oriental, manteve um museu de antiguidades, até hoje ativo no país. Embaixo do museu, funcionava um cabaré clandestino, um dos poucos que não foi fechado pelo regime comunista, que os considerava um “símbolo da decadência burguesa”, segundo explica Edwin. Além de sua personalidade cativante, uma das peculiaridades de Charlotte é que, na verdade, ela é Lothar Berfeld, um homem que, desde os 15 anos, se veste como mulher.

Com o jeito simples e alegre, a alemã conseguiu sobreviver à intolerância e ao preconceito dos regimes nazista e comunista, que perseguiam homossexuais. Edwin Luisi, que, além de interpretar Charlotte, vive, sozinho em cena, mais 22 personagens de sua vida, explica que a história de Charlotte foi revelada após a queda do Muro de Berlim. Depois de conhecer o famoso museu, Doug Wright escreveu uma carta à Charlotte, propondo um encontro. Foi o início de seis anos de entrevistas, que resultaram na peça. O espetáculo estreou nos Estados Unidos em 2003, passando pela Broadway, onde fez mais de 400 apresentações, faturando os mais importantes prêmios do teatro americano, como o Pulitzer de melhor drama, e o Tony de melhor peça e melhor ator.

Abandonando estereótipos

Apesar de ter passado praticamente a vida toda se vestindo como mulher, Charlotte não corresponde ao estereótipo do travesti. “Ela era um travesti atípico”, acredita Edwin. “Ela era a antítese daquela figura exagerada que temos no nosso imaginário. Ela sempre se vestiu como velha, com roupas pretas e sem maquiagem. A única coisa que usava era um colar de pérolas”.

Além de ser uma personagem fascinante, Charlotte contribuiu para a preservação da memória alemã com seu museu, montado inicialmente com os despojos da guerra, móveis e objetos de famílias que tiveram de abandonar suas casas durante os regimes repressores na Alemanha, e que hoje remontam a história deste período. “É um museu muito sério até hoje. É uma jóia da Alemanha porque reúne peças da belle époque do país. Ela deixou uma obra, não só a vida dela”.

Sucesso de crítica

Edwin, que pelo virtuosismo de sua performance levou os prêmios Contigo de Teatro, Shell e APTR, explica que, mesmo com a experiência de 35 nos de carreira foi um desafio encarnar mais de 20 personagens no palco. Ele diz que começou a caracterização trabalhando no timbre vocal para Charlotte, Doug, que também é um personagem da peça, e seu amigo, John, que descobriu a história de Charlotte. “Sou um ator que interpreta uma mulher, que na verdade é um homem. Tive que trabalhar nos seus gestos delicados e na característica de voz peculiar. A peça é um verdadeiro quebra-cabeça, porque tem a estrutura não linear. A partir das vozes, encontrei o gestual que pudesse identificar cada personagem para o público”, explica.

Herson Carpi, que divide a direção da peça com sua mulher, Susana Garcia, explica que a transição de um personagem para outro foi um dos grandes desafios para a encenação. “Nesse tipo de monólogo é importante fazer com que as pessoas acreditem. A nossa maior preocupação era com as marcações e as passagens que deviam parecer naturais. Foi complicado, mas ao mesmo tempo muito prazeroso, por conta dos resultados”, acredita.

É a quarta peça em que Capri e Luisi trabalham juntos. O diretor afirma que a caracterização da personagem foi um dos pontos chaves para o sucesso da montagem. “A nossa preocupação era em defender a personagem, de forma que não ficasse caricata e que fosse amada pelo público, sem preconceitos”, argumenta.


Serviço:


Dias 15, 16 e 17 de maio. Sexta e sábado, às 20h. Domingo, às 19h e 21h (sessão extra)
Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Evento não recomendado para menores de 14 anos
Teatro da Caixa


 

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