Ed Motta deixou as sofisticadas e complexas harmonias intrumentais de Dwitza e seu romance com o jazz e agora retorna ao funk dos bons tempos da Conexão Japeri em novo álbum. Não que o passeio jazzístico do herdeiro legítimo do soul nacional tenha sido negativo – ao contrário – mas é sempre bom ver o velho Ed em formato pop outra vez. Da gravadora Universal para a Trama de João Marcello Boscoli, no dia 1º de junho Ed lança Poptical – o primeiro trabalho pelo selo. A música carro-chefe do CD, Tem Espaço na Van (parceria com o músico e performático Seu Jorge, do Farofa Carioca) já toca nas rádios e no site do cantor: www.edmotta.com.br. Ed Motta é um artista plural. Pelo menos naquilo em que se aventura. Foi o responsável por segurar as pontas da decadente soul music no fim dos anos 80 e na década seguinte, quando surpreendeu o Brasil com o excelente repertório do disco de estréia – na época ainda um bolachão de vinil – mostrando que o negócio dele era gostar de música americana. Em 2001, ancorou em uma maré experimental com seu inusitado álbum Dwitza – instrumental, moldado pela tradicional formação jazzística de piano, contrabaixo e bateria, com apenas uma música letrada – e, para a alegria dos fãs, retorna ao planeta soul. Essa volta ao suíngue está calcada em exemplos bem-sucedidos como Manuel, da estréia. O novo disco apresenta ainda novas e melodiosas fórmulas funk-soul com as canções Minha Casa, Minha Cama, Minha Mesa e Que Bom Voltar. O resto do álbum ainda é uma surpresa. O jeito é esperar.