Em tempos de Transformers, a chegada de A Loja Mágica de Brinquedos pode trazer alívio para pais e crianças. Assistindo ao filme, entende-se bem por que o roteiro circulou tanto tempo por Hollywood sem encontrar um estúdio disposto a bancá-lo. Sua proposta passa muito longe dos apelos das produções infantis americanas de hoje.
O cenário é, como se pode supor, uma loja de brinquedos, e a mágica que está no título se traduz em brinquedos que ganham “vida” e nos efeitos especiais, que parecem produzidos em outros tempos. A Loja Mágica de Brinquedos foi o primeiro roteiro de Zach Helm, dramaturgo considerado revelação.
Enquanto o projeto circulava de estúdio em estúdio, Helm viu um outro roteiro seu sair do papel, Mais Estranho que a Ficção.
Só depois dos prêmios recebidos por este filme Helm conseguiu viabilizar A Loja Mágica de Brinquedos. E acumulou a direção. Dr. Magorium (Dustin Hoffman) pressente que sua hora está chegando e decide fazer de Molly Mahoney (Natalie Portman) gerente de sua loja. Ela está em crise, quer ser compositora, mas a inspiração lhe escapa.
Dr. Magorium dá a ela de presente um cubo mágico que será capaz de lhe trazer de volta o brilho da criação. Nada acontece com o cubo até que ela realmente acredite nele. Quase um placebo, em que qualquer coisa funciona se o paciente crer nisso. Com uma fórmula que parece óbvia, Helm transforma uma questão paralela ao núcleo do filme, centrado em uma criança tímida que freqüenta a loja, em seu verdadeiro tema: a arbitrariedade da linguagem. Palavras são “objetos” que só ganham vida a partir do momento em que conferimos um sentido e nele acreditamos.
Entretanto, em vários momentos, falta apuro visual, imprescindível para que o filme se realizasse por completo. Ainda assim, o filme é uma boa surpresa. Tem a coragem de ser uma grande construção fabular sem reviravoltas mirabolantes. E sua originalidade, de certa forma, está em sua absoluta falta de originalidade.