Aos sete anos de idade, no fim da década de 1960, o produtor cultural Ari de Barros ouviu uma música que o intrigou. “E que é isso?”, perguntou o menino aos familiares. Pouco depois ele veio a saber que aquela sonoridade muito diferente da catira e das músicas que animavam os reisados de sua cidade natal, Uruaçu (GO), levava o nome de rock. Pronto: sua paixão para a vida toda já tinha nome.
Como nunca tocou um instrumento, mas gostava muito de rock, Ari se aproximou da produção de shows. Há 22 anos ele organiza o Ferrock, um dos eventos mais tradicionais de Ceilândia, e cuja próxima edição será em outubro. Antes disso, Ari edita a 16ª edição da Feira de Rock, que reunirá 48 bandas na região administrativa de hoje até o dia 26 de agosto, sempre de quinta a domingo.
Além dos shows de rock, a programação conta com apresentações teatrais e de dança, exposições de fotografia, cartazes e fanzines, encontro de motociclistas, mostra de grafiti, entre outras atividades culturais. Tudo isso na Praça do Encontro, em Ceilândia Centro.
O local do evento não poderia ser outro. Ari explica que a praça está completamente abandonada e seu intuito é chamar a atenção de moradores e autoridades governamentais para essa degradação. “A Praça do Encontro deveria ser o cartão-postal de Ceilândia. Mas ela não tem mais banco, grama, coreto… só sobraram as árvores”, lamenta o produtor. Durante a Feira de Rock, será montada uma grande tenda (de 40 metros por 10), onde serão realizados os shows e os expositores montarão seus estandes.
Além de chamar a atenção para a situação da Praça do Encontro, a Feira do Rock tem como objetivo reivindicar um espaço físico para a Casa do Rock. O local funcionaria como um centro de formação cultural. “Queremos um pólo de cultura, com estúdios de ensaio e gravação, uma biblioteca do rock, uma casa de espetáculos com capacidade para até 5 mil pessoas, restaurante e hotel para os músicos que vierem se apresentar”, detalha Ari.
O local, planeja o produtor, seria administrado por conselheiros de cultura em parceira com a administração da cidade e com apoio da iniciativa privada. “O que queremos é transformar Ceilândia num centro de formação e desenvolvimento de cultura para que os músicos possam jogar sua imagem para fora daqui também”, anela.
Bandas locais
A programação musical é formada por bandas, em sua maioria, oriundas da própria Ceilândia (“temos 43 bandas cadastrada e em atividade”, enumera Ari de Barros), mas também conta com grupos do Guará, Taguatinga, Riacho Fundo II, Cruzeiro, Samambaia, Águas Lindas, São Sebastião e Gama. Os estilos também são variados: do metal pesado ao rock psicodélico, do blues ao hardcore.
Hoje, se apresentam a banda Ummagumma e o grupo de teatro Almas de Vidro, com o espetáculo Folclore: Raízes Desta Terra. Amanhã é a vez do Terno Elétrico subir ao palco. No sábado tocam Semente do Ópio, Bão e Bonito, Império Death, Raxacuca e From Hell; e, no domingo, 7-A-42, Cocktéis, Fibra, Orgasmo e Hmackoy.
A Feira de Rock é uma iniciativa do Centro Cultural Ferrock e do Movimento Pró-Casa do Rock e uma realização da Associação Ruarte de Cultura. O evento conta com patrocínio do Governo Federal, pela Lei de Incentivo a Cultura do MinC e tem o apoio do GDF e mais 19 parceiros.
Feira de Rock – Programação com 48 bandas e apresentações de teatro e dança, exposições de fotos, cartazes e fanzines, encontro de motociclistas, mostra de grafiti e tatuagem. De hoje a 26 de agosto, sempre às quintas e sextas, às 18h, e aos sábados e domingos, às 15h, na Praça do Encontro (estacionamento do Restaurante Comunitário, Ceilândia Centro). Acesso livre.