O uso de medicamentos por parte dos pré-diabéticos é um assunto polêmico. Os especialistas se dividem. O endocrinologista Leão Zagury, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes defende que o desconhecimento dos efeitos do uso continuado dos antidiabéticos por pessoas com intolerância à glicose só reforçam que a terapia não pode ser completamente confiável.
O dr. Zagury sugere que o médico deve insistir para que o paciente mude o seu estilo de vida, perdendo peso e praticando atividades físicas diárias. Para ele, o uso das drogas deve ser o último recurso utilizado.
Tem que pense diferente com relação aos antidiabéticos. É o caso do endocrinologista Freddy Goldberg Eliaschewitz, coordenador do núcleo de Terapia Celular e Molecular do Instituto de Química da USP. Ele acredita que o tratamento dos pré-diabéticos com remédios é “factível e defensável”.
Eliaschewitz argumenta que é mais fácil o paciente tomar medicamentos do que mudar o estilo de vida. “Essa é a parte mais difícil da medicina: fazer com que paciente perca peso e mantenha isso”, opina.
RiscoO médico afirma que a intervenção medicamentosa se justifica pelo fato de os intolerantes à glicose já apresentarem alto risco de sofrer um infarto. “Isso não é pouca coisa”, alerta o endocrinologista.
Na avaliação de outro endocrinologista Antonio Roberto Chacra, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), as drogas antidiabéticas devem ser ministradas apenas aos pacientes de risco, ou seja, pessoas acima de 40 anos, obesas, com alto índice de colesterol “ruim”, hipertensas, fumantes ou com história familiar de infartos.
As drogas mais indicadas aos pré-diabéticos são a metmorfina, que aumenta a sensibilidade à insulina no fígado, e a acarbose, que retarda a absorção de carboidratos. Ambas causam efeitos colaterais e desconforto.