Antes de mais nada, não é verdade o que diz na capa da fita: A Mulher do Povo não foi o vencedor em 2000 do Festival de Sundance (EUA), tradicional mostra de filmes independentes. Ele levou um prêmio secundário, destinado aos cineastas não-americanos (e, mesmo assim, na subcategoria da América Latina). Se o filme já nos confunde na apresentação, o que dizer do restante?
Na essência, é um legítmo representante dos dramalhões mexicanos, só que com uma roupagem metida à besta. Há todos os personagens tradicionais: o cruel, tirânico e milionário pai; a donzela ávida por sexo, mas reprimida pela família tradicional; o oportunista e beberrão que dá o golpe do baú; o jovem rebelde que cai nas graças da mocinha. O camponês meio retardado que serve de vassalo para a protagonista. Enfim, um clichê profundíssimo.
A única diferença é que a donzela em questão tem uma marca de nascença terrível no rosto, que lhe dá um aspecto monstruoso. Corpo lascivo, face distorcida. O dilema dilacera a personagem até o ridículo fim (pronto, contei!) em que ela dá um tiro no peito para morrer ao lado do ex-futuro-amante marginal.
Péssimo. Aliás, não merecia sequer estas mal traçadas linhas.