Quando gigantescas peças de dominós caírem sucessivamente nesta segunda-feira (9) estarão simbolizando a queda do muro de Berlim e encerrando as comemorações dos 20 anos desse acontecimento, que acabou com a divisão da Alemanha e da Europa.
Com esse ato simbólico terão fim as celebrações pela data no Portão de Brandeburgo, onde a chanceler Angela Merkel receberá estadistas para festejar à revolução pacífica que levou à queda da Cortina de Ferro e, menos de um ano depois, à reunificação da Alemanha.
Milhares de turistas e órgãos de imprensa de todos os cantos do planeta estarão em Berlim para participar da festa de aniversário que supera amplamente a programação dos 10 anos.
A capacidade hoteleira está praticamente esgotada, e desde as primeiras horas de sábado os pontos turísticos onde existem destroços do muro estão abarrotados de pessoas querendo registrar a presença no símbolo que lembra a divisão do país.
Os atos protocolares pela queda do Muro de Berlim começarão poucas horas antes com uma recepção no Palácio de Bellevue pelo presidente da Alemanha, Horst Köhler, que receberá os convidados ao anoitecer no final de um espetacular corredor formado por soldados que estarão erguendo tochas acesas.
Entre os convidados especiais estarão os representantes das quatro potências aliadas ao término da Segunda Guerra Mundial, os presidentes da Rússia e França, Dmitri Medvedev e Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, quem está na cidade desde hoje.
As autoridades alemãs contam ainda com a presença de chefes de Estado e Governo dos 27 países-membros da União Europeia, entre eles o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, que chegará a Berlim na companhia do colega polonês, Donald Tusk, após realizar uma reunião bilateral no balneário polonês de Sopot.
Todos eles, acompanhados também por importantes ativistas da revolução pacífica na RDA, se deslocarão em seguida ao Portão de Brandeburgo para assistir a um breve concerto da Staatskapelle de Berlim (orquestra mais antiga da cidade) e o coro da Staatsoper Unter den Linden sob a direção do argentino-israelense Daniel Barenboim.
Também atuarão brevemente o grupo clássico Adoro, o cantor Jon Bon Jovi, o grupo percussionista Stamping Feet, Paul van Dyk, que cantará o hino criado para a ocasião “We are one”, e Christian Steinhäuser.
Depois, todos os estadistas e convidados cruzarão unidos e simbolicamente o Portão de Brandeburgo para escutar os discursos de Merkel, do prefeito-governador de Berlim, Klaus Wowereit, e dos representantes das quatro potências aliadas.
O ato solene acabará com o simbólico dominó gigante estendido por 1,5 quilômetros ao longo do traçado do antigo Muro de Berlim, cujas peças foram pintadas por inúmeros artistas e estudantes para lembrar a queda da Cortina de Ferro e o fim da divisão de Berlim, da Alemanha e da Europa.
Os convidados às celebrações pelo aniversário da queda do Muro de Berlim serão recebidos em seguida para um jantar na Chancelaria Federal por Merkel e seu marido, o cientista Joachim Sauer.
No começo da tarde, a chanceler alemã acompanhada dos Prêmios Nobel da Paz Mikhail Gorbachev e Lech Wales, irá ao antigo posto fronteiriço interalemão da Bornholmer Strasse, para dar um passeio pelo antigo traçado do Muro.
Transformado em museu, o posto de fronteira da Bornholmer Strasse foi o primeiro a abrir os portões na noite de 9 de novembro de 1989 deixando passar milhares de cidadãos germânicos orientais ansiosos por conhecer o setor ocidental da cidade, onde eles estavam impedidos de entrar havia três décadas.
A chanceler alemã, que trabalhava então como física em Berlim Oriental, cruzou naquela noite mágica o muro de Berlim por esse portal e, segundo confessou, celebrou com cerveja a queda do Muro na casa de desconhecidos no setor ocidental da cidade.