Dominguinhos, o garoto-prodígio do baião, hoje um veterano da sanfona, presta homenagem em ritmo de chorinho e pé-de-serra ao músico e compositor Ary Barroso numa seqüência de três shows no Clube do Choro de hoje a sexta, sempre às 21h.
O sanfoneiro pernambucano é a segunda atração do projeto O Brasil Brasileiro de Ary Barroso, inaugurado na semana passada. Ao lado dos músicos brasilienses Alencar Soares (violão de sete cordas) Tonho (Pandeiro) e Evandro Barcelos (cavaquinho), Dominguinhos recorda os principais temas compostos por Ary, como a gafieira Na Baixa do Sapateiro e a patriota Aquarela do Brasil, e apresenta seu repertório de clássicos da MPB, a exemplo de Tantas Palavras, De Volta Para o Aconchego, Lamento Sertanejo e Abri a Porta (as duas últimas feitas em parceria com Gilberto Gil).
O talento de Dominguinhos, tanto no manejo dos 120 baixos da sanfona como na composição de melodias, despertou ainda na década de 50 a curiosidade do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que não hesitou em passar, literalmente, o cajado para o garoto. Aos 13 anos de idade, Dominguinhos recebe das mãos do próprio Gonzagão uma sanfona de oito baixos. Esse fora seu passaporte para tocar em gafieiras, casas noturnas e, consecutivamente, para uma carreira de sucesso, na qual gravou 40 álbuns e realizou importantes apresentações internacionais, como no reconhecido Festival de Jazz de Montreal.
Além disso, o instrumentista compôs e gravou músicas com a nata da música nordestina: Gil, Caetano Veloso, Hermeto Pascoal, Sivuca, Gal Costa, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Fagner e Nana Caymmi. O portifólio e a experiência de Dominguinhos, portanto, asseguram o título de Príncipe do Baião que carrega até hoje.