Que o Dogão é mau, todo mundo já sabe. O que ainda permanecia em mistério, eram os números do arrebatador sucesso que o rapper virtual alcançou com um único hit. Martelado diariamente nas rádios populares e videoclipes da MTV, a música – com seu repetitivo refrão “Dogão é mau/Dogão é Mau, Au, Au”– alcançou a marca de mais de 15 mil downloads para toques de celular em somente 15 dias, segundo dados levantados pela Tellvox, empresa que desenvolve serviços de interatividade para a telefonia fixa e móvel.
A marca superou, no Brasil, artistas pop da patente dos americanos Michael Jackson e Britney Spears, e dos nacionais Kaleidoscópio, Luka e Tribalistas. Criado especialmente para o comércio via internet, Dogão abocanha uma fatia do mercado fonográfico que conseguiu driblar a pirataria e, agora, lhe resta trilhar o mesmo caminho de sucesso da banda virtual norte-americana GorillaZ.
da periferiaDogão é um rapper da periferia paulistana, com corpo de homem e cabeça de cão. Após ganhar uma bolada na assinatura do contrato com a gravadora Arsenal Music, comprou uma Harley-Davidson e conquistou o amor da mulher-cadela Nega Ganja, que, por sinal, é sua backing vocal. A gangue musical de Dogão se completa com seu parceiro de composição, Mano Cabuloso – um outro homem-cão, obeso e de língua presa.
Os estereótipos foram criados pela mente inquieta do produtor Rick Bonadio – empresário da Arsenal e figura por trás dos Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr., Luiza Possi e do Popstars – e tiveram os traços desenvolvidos pelo estúdio de animação Anima King. “A turma do Dogão não existe. Na verdade, pegamos várias facetas de vários conhecidos nossos e criamos os personagens”, conta Bonadio.
Segundo o produtor, a idéia de lançar um artista que não fosse real lhe veio à mente ainda na virada do século. Com o surgimento do GorillaZ, ele abortou a idéia. “Queria fazer uma banda de rock virtual. Quando chegou o Gorillaz, esperei um tempo e, agora, pensei nesse rapper”, diz. “Acredito que o hip hop está crescendo e tem um público muito grande”.