Rita Cadillac estudou balé clássico no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e tempos depois virou musa de detentos do Carandiru. Teve uma infância conturbada, foi criada pela avó num período marcado pela ditadura. Conquistou seus primeiros admiradores como dançarina do programa do Chacrinha. Aos 50 fez um filme pornô. Agora, aos 53 anos e casada, é tema de documentário.
O filme é Rita Cadillac – A Lady do Povo, do diretor Toni Venturi (Latitude Zero e Cabra-Cega) e será exibido em primeira mão ao público hoje, às 19h30, na quinta e última edição do Teste de Audiência, no Teatro da Caixa Cultural.
O documentário coloca um outro olhar sobre a personalidade de Rita Cadillac: o da Rita de Cássia Coutinho, a pessoa comum por trás da mulher que alimenta o imaginário masculino brasileiro desde os anos 80, a mulher pacata, o ser humano por trás da estrela.
Rita Cadillac conta que a idéia da cinebiografia partiu do diretor, após ele ter visto a biografia que Jefferson Gorgulho escreve sobre ex-chacrete. Após um ano e meio de pesquisas e encontros inusitados, Rita conheceu uma irmã que ela nem sabia que tinha, no meio das gravações do filme. O filme chega, agora, ao processo de finalização, que contará com a participação do público que for conferir a exibição hoje à noite.
A protagonista do documentário disse ter ficado muito surpresa com a idéia de fazer um filme. “Não achava que minha vida era tão interessante assim a ponto de virar um documentário, mas quando o Toni me falou da idéia, olhando bem, percebi que meus 53 de vida renderam muitas histórias”, conta a atriz.
Rita revela que há um lado que gostaria que o público também conhecesse. “A Rita do filme é a Rita de Cássia, a pessoa que passou por poucas e boas na vida. Quem não me conhece pode ter outra idéia sobre mim com o documentário”, defende. “Ou pode continuar me achando vulgar”, completa rindo.
Rita preferiu ainda não ver as imagens do filme. “Só vou assistir ao documentário pronto. Estou confiando no olhar do Toni. A idéia era dele então deixei ele fazer o filme como quisesse”, argumenta.
Após ser premiado pelos dois primeiros longas-metragens (duas vezes no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro), Venturi ganhou notoriedade ao produzir o fime O Velho, a História de Luís Carlos Prestes. Todos os filmes têm certo cunho político, ou recorte social e humanista. Em sua mais recente produção, no entanto, o cineasta documenta a vida da mulher do povo que é a Rita Cadillac.
Recordações
Rita conta que, para o documentário, visitou o local onde passou a infância, o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, e reencontrou com antigos amigos e pessoas que marcaram sua vida. “O Toni conseguiu entrar no meu lado mais pessoal, resgatar minha história de vida. Isso mexeu muito com meu emocional”, revela.
Para ela, a experiência de realizar o filme “foi como uma análise, onde eu consegui superar coisas da minha vida que me deixaram marcas”. Se para Rita o processo foi emocional, ela espera que os espectadores estejam abertos a conhecer um pouco mais sobre sua vida. “Queria que as pessoas assistissem ao filme com respeito, sem preconceitos”.
Teste de Audiência – Exibição do filme Rita Cadillac, a Lady do Povo, de Toni Venturi. Hoje, às 19h30, no Teatro da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul, Quadra 4). Entrada franca, sujeita a lotação do teatro. Informações: 3206-9448.