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Documentário sobre Litvinenko será exibido fora do concurso de Cannes

Arquivo Geral

23/05/2007 0h00


O documentário sobre o assassinato do antigo espião russo Alexander Litvinenko será projetado fora do concurso no Festival de Cannes, anunciou nesta quarta-feira o diretor da obra, Andrei Nekrasov.

“A fita entra na seção oficial, dentro da categoria filme surpresa. O título diz tudo: A Rebelião: o caso Litvinenko, declarou Nekrasov ao canal de televisão Ren-TV.

O filme “aborda o tema do preço da vida humana”, acrescentou Nekrasov, amigo pessoal de Litvinenko, que morreu em 23 de novembro do ano passado devido à alta concentração em seu organismo de polônio 210, uma substância radioativa altamente tóxica.

“Este filme foi como uma catarse para mim. Documentar a perda de um amigo, que sofreu perante meus olhos uma morte horrível”, disse.

O documentário de 53 minutos de duração se baseia nas entrevistas realizadas com o próprio Litvinenko e com o principal acusado de seu assassinato, o ex-agente da KGB, Andrei Lugovoi, contra quem a Justiça britânica apresentou ontem acusações e anunciou que pedirá sua extradição.

Também inclui declarações do empresário russo exilado em Londres e reclamado pela Justiça russa, Boris Berezovski, antigo chefe de Litvinenko e de Lugovoi.

No filme o presidente russo, Vladimir Putin, é acusado de estar por trás do assassinato de Litvinenko, que também responsabilizou o chefe do Kremlin em uma carta deixada antes de morrer.

Além disso, foram abordados os atentados com bomba contra vários prédios residenciais em Moscou (1999) que tiraram a vida de mais de 300 pessoas e que, mais tarde, foram o estopim da segunda guerra chechena.

Uma vez asilado em Londres, Litvinenko escreveu um livro no qual acusou o Kremlin de encenar os atentados, cuja autoria nunca foi reconhecida pela guerrilha separatista, para persuadir a opinião pública da necessidade de bombardear a Chechênia.

“Para mim era muito importante compreender o que aconteceu e o porquê. Mostrar Alexander em primeiro plano, isso é o que exige o cinema e o festival mais importante do mundo”, disse o diretor.

O documentário estreará no sábado e, segundo Nekrasov, a viúva de Litvinenko, Marina, dará uma entrevista coletiva antes da projeção.

O diretor artístico do Festival, Thierry Fremaux, reconheceu que tinha decidido incluir este filme de teor político, que comparou com um “big bang”, no último minuto.

Nekrasov, que já tinha rodado dois documentários sobre Litvinenko Meu amigo Sasha: um assassinato muito russo e Como Envenenar um Espião, acompanhou o ex-agente da KGB no hospital até o dia de sua morte.

Documentarista formado no Instituto Nacional para o Teatro e Cinema de Leningrado, Nekrasov recebeu o prêmio de melhor documentário no Festival de Sundance (2004) por Desconfiança, sobre os atentados em Moscou que desembocaram na segunda guerra chechena.

Além disso, o Curta-metragem Springing Lenin foi selecionado na Quinzena de Produtores de Cannes em 1993 e ganhou o Prêmio da Unesco.

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