Pouco antes de morrer, aos 62 anos, doente, magoado e esquecido, Wilson Simonal (1938-2000) dizia que ainda sonhava com o reconhecimento em vida por suas qualidades artísticas, mas já era tarde demais. O que ficou mais forte na memória do público que não o viu cantar foi a controvertida imagem de delator. O documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei, de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, que estreia hoje, debate sobre essa questão nebulosa, acirrada pelos radicalismos nos tempos da ditadura militar.
O filme também revela, para as novas gerações, o astro pop que dominava as massas. Com doses intensas de alegria e tristeza, conta a saga do papa do suingue, um dos maiores cantores brasileiros de sempre. Na sequência, serão relançados seus principais discos, gravados na Odeon de 1961 a 1971, além de uma coletânea em CD duplo da Som Livre. A caixa da EMI traz como novidade um álbum inédito no Brasil, gravado no México em 1970, ano em que acompanhou a vitoriosa Seleção Brasileira de Futebol. Além disso, saem em breve dois livros sobre ele: uma biografia escrita pelo jornalista Ricardo Alexandre e Quem Não Tem Swing Morre Com a Boca Cheia de Formiga, de Gustavo Alonso.
O “rei do patropi” tinha um jeito brincalhão de picotar as palavras, pronunciando só as primeiras sílabas, como o fez em um de seus maiores êxitos, País Tropical (Jorge Ben Jor). Mas foi
Nem Vem Que Não Tem que motivou Langer e Calvito, sócios de uma produtora, a pesquisar
sobre o cantor. “Quando estávamos empolgados porque descobrimos uma história maravilhosa
para um filme, soubemos que Claudio Manoel, já tinha começado a fazer um projeto desse dois anos antes”, diz Langer. Acabaram parceiros.
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