Sabe aquela família aventureira que deu duas voltas ao mundo a bordo de um veleiro; chegou a ganhar especial no Fantástico; foi alvo de burburinho em revistas nacionais; e teve seus 20 anos de história registrados em livro no ano passado? Se não, aí vai outra dica para conhecer o clã Schürmann e, de lambuja, ampliar os conhecimentos de história: O Mundo em Duas Voltas, documentário de um dos quatro filhos do casal Vilfredo e Heloísa, David Schürmann.
O longa-metragem é um diário de bordo da segunda viagem dos Schürmann – partindo de Santa Catarina, em 1998, e ancorando, dois anos depois, no oportuno dia 22 de abril de 2000, em Porto Seguro (BA). O documentário tenta resumir esse período em uma hora e 30 minutos – sem correr o risco de limitar-se a conflitos familiares ou sentimentalismos.
Sabiamente, o diretor opta pelo caminho do encantamento. David, cineasta formado na Nova Zelândia, com experiência de velejador e de vida em alto-mar, recorta paisagens dos 19 países que o barco Aysso atravessou – e remonta a história da rota criada pelo desbravador português Fernão de Magalhães, morto durante a ousada expedição para encontrar um estreito que atravessasse a América do Sul.
Enquanto a família – composta durante a viagem registrada somente pelo casal, a filha caçula Kat e David (com a equipe de filmagem, que depois desistiu no meio do caminho) – desembarca num porto, numa ilha, ou atravessa remotos cartões postais nos confins do mundo, a narração dá conta da trajetória de Magalhães, reconstituída em desenhos.
Extremamente didático e pouco poético, O Mundo em Duas Voltas não é arrebatador, mas consegue um resultado equilibrado a bordo da história e do carisma desta família simples, mas de vida inebriante.