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Documentário coloca Bush no paredão

Arquivo Geral

29/07/2004 0h00

Desde a polêmica eleição do presidente dos EUA George W. Bush, em 2000, o cineasta Michael Moore fica à espreita, e registra cada tropeço, equívoco ou contradição do governante norte-americano. Com o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 – e a conseqüente destruição do World Trade Center –, surgiu a deixa que Moore esperava para soltar sua bomba na Casa Branca. Vasculhou arquivos de jornais e televisões e compilou os piores momentos do governo Bush em seu novo filme Fahrenheit 11 de Setembro.

A fita causou reboliço entre democratas e republicanos no país ianque, ganhou ovacionados aplausos no Festival de Cannes – de onde saiu com a Palma de Ouro – e, amanhã, chega aos cinemas brasileiros. O documentário antiBush ultrapassa o maniqueísmo disfarçado com doses altas de sentimentalismo e solta os cães para cima do “presidente fictício”, conforme sugere o homem-bomba intelectual de Hollywood.

O sarcasmo acentuado e tragicômico demonstrado por Michael Moore em Tiros em Columbine retorna ainda mais ácido – e com um viés de humor mais próximo do hilário do que do meramente irônico. O diretor cede uma hora inteira da película para enfatizar alguns deslizes de George Bush. Primeiro, Moore projeta a desastrosa cerimônia de posse do presidente norte-americano, saudado por arremessos de ovos em sua limusine. Em seguida, o cineasta mostra sua frustrada tentativa de falar com Bush:

– Sr. Presidente, grita Moore.

– Vá procurar um emprego de verdade, solta o presidente ao ver quem o chamava.

O primeiro avião colide com o WTC. Bush estava a caminho de uma escola de ensino primário. Não cancela a visita e entra na sala. Enquanto conversa com as crianças, é interrompido por um assessor que o informa sobre a destruição da segunda torre. Durante os sete minutos em que Bush fica estático na sala de aula, Moore faz suas divagações sobre o que o presidente estaria pensando.

Então, dispara sua metralhadora de denúncias contra o governo. Ele encontra ligações de Bush com a família Bin Laden e tenta convencer congressitas norte-americanos a enviarem seus filhos para a guerra no Iraque. Para completar, defende mil-e-uma teses sobre prováveis armações de Bush.

Manipulações à parte, a atitude de Moore em bater de frente com Bush e pregar peças com os parlamentares de Washington supera seu talento de documentarista e faz dele um dos poucos corajosos a contestar a política norte-americana.

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    A fita causou reboliço entre democratas e republicanos no país ianque, ganhou ovacionados aplausos no Festival de Cannes – de onde saiu com a Palma de Ouro – e, amanhã, chega aos cinemas brasileiros. O documentário antiBush ultrapassa o maniqueísmo disfarçado com doses altas de sentimentalismo e solta os cães para cima do “presidente fictício”, conforme sugere o homem-bomba intelectual de Hollywood.

    O sarcasmo acentuado e tragicômico demonstrado por Michael Moore em Tiros em Columbine retorna ainda mais ácido – e com um viés de humor mais próximo do hilário do que do meramente irônico. O diretor cede uma hora inteira da película para enfatizar alguns deslizes de George Bush. Primeiro, Moore projeta a desastrosa cerimônia de posse do presidente norte-americano, saudado por arremessos de ovos em sua limusine. Em seguida, o cineasta mostra sua frustrada tentativa de falar com Bush:

    – Sr. Presidente, grita Moore.

    – Vá procurar um emprego de verdade, solta o presidente ao ver quem o chamava.

    O primeiro avião colide com o WTC. Bush estava a caminho de uma escola de ensino primário. Não cancela a visita e entra na sala. Enquanto conversa com as crianças, é interrompido por um assessor que o informa sobre a destruição da segunda torre. Durante os sete minutos em que Bush fica estático na sala de aula, Moore faz suas divagações sobre o que o presidente estaria pensando.

    Então, dispara sua metralhadora de denúncias contra o governo. Ele encontra ligações de Bush com a família Bin Laden e tenta convencer congressitas norte-americanos a enviarem seus filhos para a guerra no Iraque. Para completar, defende mil-e-uma teses sobre prováveis armações de Bush.

    Manipulações à parte, a atitude de Moore em bater de frente com Bush e pregar peças com os parlamentares de Washington supera seu talento de documentarista e faz dele um dos poucos corajosos a contestar a política norte-americana.

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