A disputa pela cadeira número cinco da Academia Brasileira de Letras (ABL), que pertenceu a Rachel de Queiroz (1910-2003), está acirrada. A eleição, que será realizada amanhã, conta com dois favoritos: o historiador José Murilo de Carvalho e o publicitário e poeta Mauro Salles.
Nos bastidores, a diretoria da ABL tem defendido a candidatura de Carvalho, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e autor de uma obra extensa sobre a História do Brasil. Essa atitude pode acabar favorecendo Salles. Para ser eleito imortal da casa fundada por Machado de Assis, são necessários 19 votos, ou seja, metade mais um dos atuais 37 acadêmicos. Nove dos membros da ABL já enviaram seus votos por cartas, que serão abertas amanhã, às 16h.
Além do historiador e do publicitário, há mais oito candidatos inscritos, entre eles a filósofa Yeda Otaviano, o jurista Paulo Bonavides e o jornalista e escritor Domingos Pellegrini.
Na semana passada, a eleição para preencher a cadeira 19, que pertenceu ao sociólogo e advogado Marcos Almir Madeira (1916-2003), acabou adiada porque nenhum dos candidatos obteve o número mínimo de votos para a imortalidade. Entre os que concorriam à vaga na Academia, figuravam o jornalista e ex-deputado federal Márcio Moreira Alves, o professor e crítico literário Domício Proença Filho, a antropóloga Maria Beltrão e o poeta e professor Antônio Carlos Secchin.
A ABL tem 40 cadeiras. Além das que ficaram vagas após as mortes de Madeira e de Rachel de Queiroz, no ano passado, está sem titular empossado a que foi deixada pelo jornalista e empresário Roberto Marinho (1904-2003). Para o lugar dele, foi eleito o ex-vice-presidente da República Marco Maciel. Antes que ocorra sua posse, Maciel fica impedido de dar seu voto.