Chorinho, cavaquinho e Brasileirinho. Quase tudo é no diminutivo no filme batizado com o nome do famoso tema do chorão Waldyr Azevedo, dirigido pelo finlandês radicado no Rio de Janeiro Mika Kaurismäki. Documentário essencialmente musical – algo na mesma linha do que o próprio cineasta, pesquisador e amante de música brasileira havia feito em terreno verde-amarelo em Moro no Brasil –, o longa-metragem cresce graças à inspirada trilha sonora, pontuada na maior parte por canções executadas ao vivo.
De resto, Brasileirinho é pequeno. Tem um forte argumento para um pobre desenlace da idéia. A expectativa é formada em torno do que a narradora do filme apresenta como a nova geração do choro.
Os heróis do gênero surgem em citações, nos créditos das músicas. Pixinguinha é a maior referência, mas é pouca ou nenhuma a ênfase concedida a Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Patápio Silva ou o próprio criador do Brasileirinho, a canção.
Compreensível, a partir do momento em que se coloca o peso da história do choro nas mãos do cenário atural, no Rio de Janeiro. O Trio Madeira Brasil abocanha a maior parte das considerações do diretor. O virtuosismo de Yamandú Costa é reverenciado; a história comovente do bandolinista Joel Nascimento, idem.
O que incomoda são figuras da estirpe de Hamilton de Holanda, Henrique Cazes e Paulo Moura servirem de coadjuvantes para uma história que pretende abraçar o mundo – ou o Rio – e subir seus créditos sem ter dado profundidade ao argumento.
Fica apenas o retrato de algumas belas passagens de Carinhoso, Tico-Tico no Fubá, Brejeiro e Doce do Coco. Brasileirinho nem en-passant.