O diabo é o protagonista do novo livro de Frei Betto, Treze Contos Diabólicos e um Angélico (Editora Planeta), que será lançado hoje, às 19h30, no Conjunto Cultural da Caixa, pelo projeto Sempre um Papo. Além do livro de contos, o ex-assessor pessoal do presidente Lula lança Saborosa Viagem Pelo Brasil: Limonada e Sua Turma em Histórias e Receitas a Bordo do Fogãozinho (Editora Mercuryo Jovem), obra infanto-juvenil escrita em parceria com sua mãe, Maria Stella Libanio Christo. O público poderá conversar com o frei dominicano.
Treze Contos Diabólicos e um Angélico foi escrito nos últimos cinco anos. Dois contos, porém, são da década de 70: Egg e Domingo de Ressurreição no Minas Tênis Clube.”O telespectador, por exemplo, foi escrito nos últimos dois anos, quando eu ainda estava no governo. O texto é inspirado no livro Videologias, de Eugênio Bucci e Maria Rita Kehl”, contou Frei Betto ao Jornal de Brasília.
Nos contos, o diabo tem muitas alcunhas: demo, capeta, coisa ruim, maligno, anjo caído. Ele é personificado por um chefe, uma beata e até por um carimbador de uma repartição. Por meio dessas representações, o leitor descobre seu lado ruim. “Eu não escrevi o livro pensando em transmitir mensagem alguma. O leitor que pense na sua realidade”, revela o frei. Ele afirma, ainda, que a figura do “maligno” é tema recorrente em várias obras. ” O diabo aparece com freqüência na Bíblia, nos textos de Dostoievski, Dante, Bernanos. Eu também quis brincar com ele”.
Em O Excluído, 3º conto do livro, o leitor descobre como se faz para ir para o inferno. Privar crianças de alimentação, cercar terras para excluir famílias e dirigir organismos internacionais que promovam a desigualdade social são alguns dos caminhos. “Para ser merecedor do inferno, meu caro, é preciso ter competência e poder”, afirma.
No penúltimo capítulo, O Telespectador, os únicos objetos contidos no inferno são uma cadeira e uma televisão. Lá, o falecido é obrigado a assistir a programas de TV sem parar. Com o passar do tempo, ele descobre o quanto é incômodo permanecer ali. “Não acho que a TV seja um meio ruim, mas, nos dias atuais, ela tem estimulado muito o consumismo. A subjetividade torna-se esgarçada”, analisa Frei Betto.
A outra obra do autor é um manual de culinária para a criançada. “A parte das receitas é da minha mãe e a da história, minha. O livro é para as crianças aprenderem a cozinhar e conhecer o Brasil por meio dos pratos regionais”, afirma. Saborosa Viagem Pelo Brasil: Limonada e Sua Turma em Histórias e Receitas a Bordo do Fogãozinho propõe, também, uma reflexão sobre a importância da alimentação natural e do aproveitamento dos legumes, das verduras e frutas.