Toda quarta-feira à noite, cerca de 20 pessoas se apertam na pequena sala de uma casa em Botafogo, no Rio de Janeiro, para assistir ao culto da Pastora Baby. Ou melhor, Baby do Brasil. A mais excêntrica religiosa do País comanda as celebrações na igreja que ela mesma fundou, há quatro anos, a do Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo.
Do início ao fim, ela conversa em voz alta com Ele. “O Senhor está me dizendo que alguém aqui tem a mãe com câncer”, anuncia, para depois a pessoa se identificar. Os fiéis — ou ovelhas, como Baby os chama — são dos mais diferentes tipos: de ex-moradores de rua a ex-drogados e criminosos, passando pela irmã da cantora Marisa Monte, Carol. Quase todos com tatuagens, piercings e cabelos vermelhos.
O culto de Baby tem de tudo. Além de ouvir a voz de Deus, ela jura que já se encontrou com Ele, canta músicas gospel e pede o dízimo. “Estou numa bola solta no ar (a Terra), e queria encará-Lo”, conta. “Deus é muito louco”.
Pesadelos Desde pequena, Bernardette Dinorá de Carvalho Cidade sempre foi diferente. Aos 8 anos, a menina de Niterói tinha inúmeros pesadelos. Seu pai a levou para um psicanalista, mas a menina teve que conviver com aquelas visões. Já maior e famosa, Baby Consuelo jurava ter sido seqüestrada por naves espaciais. Hoje, aos 52 anos, a Pastora Baby entende tudo.
“Tive experiências barra-pesada”, lembra. “Depois vim a descobrir que era tudo obra de Lúcifer”. Baby se converteu evangélica há cinco anos. Na época, estava desesperada querendo que Deus aparecesse para ela.
A cantora conta que recebeu uma mensagem de Deus por meio de seu médico particular: “Estive debaixo dos pés da cruz de Jesus e fiquei toda ensangüentada. Eu vi Jesus. Ele é sarado, mas é natural, não aquela coisa musculosa”.
A partir daí, ela começou a freqüentar os cultos da Sara Nossa Terra e um ano depois, em abril de 2000, fundava sua própria igreja. Em dezembro de 2001, Baby foi ordenada pastora e, a partir daí, começou a comandar cultos, que hoje se realizam na sede da produtora da cantora, em Botafogo, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Sem sexo O sexo é um tema recorrente no culto de Baby. Ela pede aos fiéis para “segurar a onda” da carne. A própria pastora jura que não transa desde que se converteu: “Estou em santidade há cinco anos. Pedi a Deus para tirar de mim o desejo e a tentação. E Ele conseguiu”.
Do tempo de Novos Baianos, só restam lembranças. Agora, Baby só quer saber de música religiosa. A cantora acaba de voltar de Boston, nos Estados Unidos, onde gravou seu segundo CD gospel, previsto para ser lançado em setembro.
“A minha busca por Deus sempre esteve presente em minhas músicas”, destaca ela. “Desde quando cantava Sem Pecado e Sem Juízo, Canceriana Telúrica e Cósmica. Todas as minhas músicas têm isso presente”.
Baby tem três filhas e duas delas já se converteram e freqüentam os cultos da igreja da mãe (a pastora só não revela quais). Ela diz que sabe que muita gente pensa que ela ficou louca depois da conversão. Mas não está nem aí.
“Falei para Jesus que se contasse que eu O tinha encontrado, as pessoas iriam me achar louca”, pontua. “E Deus me disse que eu já deveria estar acostumada com isso há muito tempo”. De repente, a cantora começa a tremer. E explica: “A Bíblia fala que quem transita no mundo espiritual tem tremores no corpo. É muita vibração espiritual. Como se fosse uma descarga elétrica do Espírito Santo”.