Equivocada seleção do Festival Paulínia de Cinema, cuja segunda edição está em curso e desponta como uma das mais abrangentes vitrines de filmes inéditos do País, apresentou ontem o deficiente filme de Moacyr Góes Destino. Produzido e protagonizado pela atriz Lucélia Santos, o projeto que ficara dormente por 13 anos foi concebido e apresentado na noite de sábado da competição de Paulínia. A recepção por parte da crítica foi unanimimente de deboche. A plateia não conteve risos na sessão pela baixa qualidade da produção, especialmente numa sequência de merchandising dos produtos brasileiros que “bancaram” o filme.
“Este pode não ser um bebê perfeito, mas é o que a gente tem”, previniu Lucélia Santos na apresentação do filme. Na coletiva de imprensa na manhã de hoje, ficaram claras as intenções do projeto. Era originalmente uma minissérie para a TV, com 25 capítulos. O projeto foi adequado às leis de incentivo fiscal do governo brasileiro e foi submetido à censura chinesa.
Destino não foi selecionado para a mostra principal de um festival em Xangai, onde estreou. Mas, ainda assim, com toda sua precariedade, entrou na seleção oficial de Paulínia. Pela manhã, o curador do festival, Rubens Ewald Filho, se antecipou às perguntas da imprensa e permitiu que Lucélia se defendesse. “A intenção original é exibir na TV chinesa. Sempre tive como foco para esse filme o público popular chinês. É claro que queria ter feito um grande filme; acho que o roteiro tem inúmeros problemas; a direção poderia ter resolvido vários deles; mas é o que a gente conseguiu fazer”, adiantou com prudente honestidade Lucélia, cuja intenção de lançamento do filme é meramente mercadológica.
Destino não tem previsão de entrar nos cinemas brasileiros e, possivelmente, será reeditado para tentar alguma coisa na televisão aberta nacional, mas Lucélia não nega que não pensou no público brasileiro: “Nossa meta é fazer que esse filme seja exibido na China”, reforçou.