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Desprezar aquecimento é um erro

Arquivo Geral

12/08/2004 0h00

Quem costuma se exercitar em parques públicos, como o Olhos D´água por exemplo, testemunha dezenas de pessoas chegando para correr ou andar e fazendo meros alongamentos antes daqueles exercícios. O professor de educação física e doutor em ciências pedagógicas, Ramón Alonso López, avisa que trocar o aquecimento pelo alongamento é um grande erro.

Ramón é autor da pesquisa Aquecimento x Alongamento na Flexibilidade, realizado no segundo semestre de 2003 na Faculdade de Educação Física (FEF) da Universidade de Brasília (UnB). Segundo seu estudo “forçar a musculatura sem um preparo prévio pode incorrer em traumas e, principalmente, distensão muscular”.

O professor de educação física explica que é necessário realizar uns pequenos exercícios antes de se fazer um esforço maior: “Somente quando o corpo já está aquecido, ele torna-se mais flexível e elástico. Depois dessa fase pode-se fazer alongamentos”, explica.

entendaA diferença entre os dois tipos de exercícios é a seguinte. O aquecimento é a repetição de exercícios para aumentar a circulação sangüínea, lubrificar as articulações, aumentar a temperatura corporal, melhorar o desempenho e prevenir lesões, entre outras; o alongamento é um movimento lento que busca a elasticidade máxima do músculo dentro do limite do corpo. Por exemplo, um polichinelo é um aquecimento, mas tentar alcançar o pé com as mãos flexionando a coluna para frente é alongamento.

Essa atividade traz vários benefícios, entre eles, a melhoria do desempenho e redução da dor muscular após o exercício e das chances de distensão. Normalmente, devido às diferenças fisiológicas, mulheres são mais elásticas que os homens e eles são mais fortes que elas.

O estudo de Ramón foi realizado com 20 alunos da disciplina Medidas e Avaliações em Educação Física, da Faculdade de Educação Física da UnB. Os estudantes foram divididos em três grupos, cada um com duas mulheres. “A turma toda tinha apenas seis mulheres e para ter uma amostra homogênea em cada grupo, foi necessário dividi-las pelos grupos”, explica o estudante da FEF Paulo Aires de Lucena Leal, que ajudou López na coleta e análise de dados.

Todos os voluntários fizeram o teste de banco de Wells, utilizado para medir a flexibilidade da parte posterior do tronco e pernas. A pessoa senta-se de frente para o banco, colocando os pés no apoio com os joelhos estendidos, ergue os braços, sobrepondo uma mão à outra, e leva as duas para a frente até que toquem a régua do banco.

mediçãoOs estudantes passaram por uma medição de sua flexibilidade ativa (aquela que a pessoa realiza com seu próprio esforço), e passiva (aquela que a pessoa fica relaxada e outra ajuda a executar o movimento). O grupo A realizou cinco minutos de aquecimento e cinco minutos de alongamento, o grupo B fez somente 10 minutos de alongamento e o grupo C realizou cinco minutos de alongamento e cinco minutos de aquecimento. Todos fizeram o mesmo teste.

Depois dos exercícios, observou-se que tanto a flexibilidade ativa quanto a passiva são maiores – o que vale para os três grupos. E que, a flexibilidade passiva, com a ajuda de um companheiro, é sempre maior que a ativa realizada individualmente. Além disso, a diferença é de quase 10 cm entre a flexibilidade passiva depois do exercício e a flexibilidade ativa antes da atividade, na articulação do quadril.

Quando se comparam os resultados entre os grupos, observa-se mais flexibilidade no grupo que fez o alongamento após o aquecimento.

Por conta desses resultados, os autores do estudo recomendam, devido aos efeitos fisiológicos de cada tipo de exercício, aquecimento para os músculos e articulações, seguido de alongamento para obter maior flexibilidade e elasticidade. Paulo Leal ressalva que o assunto precisa ser mais pesquisado para verificar os efeitos em uma amostra significativa. “Também seria interessante verificar os efeitos do aquecimento e alongamento na força muscular”, acrescenta.

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    12/08/2004 0h00

    Quem costuma se exercitar em parques públicos, como o Olhos D´água por exemplo, testemunha dezenas de pessoas chegando para correr ou andar e fazendo meros alongamentos antes daqueles exercícios. O professor de educação física e doutor em ciências pedagógicas, Ramón Alonso López, avisa que trocar o aquecimento pelo alongamento é um grande erro.

    Ramón é autor da pesquisa Aquecimento x Alongamento na Flexibilidade, realizado no segundo semestre de 2003 na Faculdade de Educação Física (FEF) da Universidade de Brasília (UnB). Segundo seu estudo “forçar a musculatura sem um preparo prévio pode incorrer em traumas e, principalmente, distensão muscular”.

    O professor de educação física explica que é necessário realizar uns pequenos exercícios antes de se fazer um esforço maior: “Somente quando o corpo já está aquecido, ele torna-se mais flexível e elástico. Depois dessa fase pode-se fazer alongamentos”, explica.

    entendaA diferença entre os dois tipos de exercícios é a seguinte. O aquecimento é a repetição de exercícios para aumentar a circulação sangüínea, lubrificar as articulações, aumentar a temperatura corporal, melhorar o desempenho e prevenir lesões, entre outras; o alongamento é um movimento lento que busca a elasticidade máxima do músculo dentro do limite do corpo. Por exemplo, um polichinelo é um aquecimento, mas tentar alcançar o pé com as mãos flexionando a coluna para frente é alongamento.

    Essa atividade traz vários benefícios, entre eles, a melhoria do desempenho e redução da dor muscular após o exercício e das chances de distensão. Normalmente, devido às diferenças fisiológicas, mulheres são mais elásticas que os homens e eles são mais fortes que elas.

    O estudo de Ramón foi realizado com 20 alunos da disciplina Medidas e Avaliações em Educação Física, da Faculdade de Educação Física da UnB. Os estudantes foram divididos em três grupos, cada um com duas mulheres. “A turma toda tinha apenas seis mulheres e para ter uma amostra homogênea em cada grupo, foi necessário dividi-las pelos grupos”, explica o estudante da FEF Paulo Aires de Lucena Leal, que ajudou López na coleta e análise de dados.

    Todos os voluntários fizeram o teste de banco de Wells, utilizado para medir a flexibilidade da parte posterior do tronco e pernas. A pessoa senta-se de frente para o banco, colocando os pés no apoio com os joelhos estendidos, ergue os braços, sobrepondo uma mão à outra, e leva as duas para a frente até que toquem a régua do banco.

    mediçãoOs estudantes passaram por uma medição de sua flexibilidade ativa (aquela que a pessoa realiza com seu próprio esforço), e passiva (aquela que a pessoa fica relaxada e outra ajuda a executar o movimento). O grupo A realizou cinco minutos de aquecimento e cinco minutos de alongamento, o grupo B fez somente 10 minutos de alongamento e o grupo C realizou cinco minutos de alongamento e cinco minutos de aquecimento. Todos fizeram o mesmo teste.

    Depois dos exercícios, observou-se que tanto a flexibilidade ativa quanto a passiva são maiores – o que vale para os três grupos. E que, a flexibilidade passiva, com a ajuda de um companheiro, é sempre maior que a ativa realizada individualmente. Além disso, a diferença é de quase 10 cm entre a flexibilidade passiva depois do exercício e a flexibilidade ativa antes da atividade, na articulação do quadril.

    Quando se comparam os resultados entre os grupos, observa-se mais flexibilidade no grupo que fez o alongamento após o aquecimento.

    Por conta desses resultados, os autores do estudo recomendam, devido aos efeitos fisiológicos de cada tipo de exercício, aquecimento para os músculos e articulações, seguido de alongamento para obter maior flexibilidade e elasticidade. Paulo Leal ressalva que o assunto precisa ser mais pesquisado para verificar os efeitos em uma amostra significativa. “Também seria interessante verificar os efeitos do aquecimento e alongamento na força muscular”, acrescenta.

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