Um estilista desencadeou uma polêmica na Espanha ao empregar imigrantes ilegais como modelos num desfile de moda, provocando acusações de que usou imagens de africanos pobres para vender roupas.
O desfile da coleção de Antonio Miro num evento de moda em Barcelona, na quinta-feira, também incluiu um barco decrépito semelhante às embarcações precárias conhecidas como "cayucos", que já transportaram milhares de africanos desesperados até a costa espanhola.
"Enquanto houver cayucos, não se pode rir e fazer festa", disse Abdulaye Konate, chefe da Associação de Imigrantes Senegaleses nas Ilhas Baleares, à edição de sexta-feira do jornal espanhol El Mundo.
Os cayucos levaram cerca de 30 mil africanos às Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha, apenas no ano passado. Acredita-se que muitas das embarcações afundaram, levando milhares de pessoas a morrer afogadas.
O grupo SOS Racismo, que defende os imigrantes, saudou o desfile de moda. "Desde que seja de bom gosto, a moda é uma forma de arte, como o cinema ou a pintura", disse o porta-voz do grupo, Javier Perez.
Miro, que em desfiles anteriores recrutou presos para ser modelos, disse que sua intenção foi chamar a atenção à situação difícil dos imigrantes ilegais. Ele disse que pagou um valor simbólico a seus modelos.
Imagens transmitidas pela televisão de barcos repletos de africanos exaustos e desidratados chegando às Ilhas Canárias levaram a migração ao primeiro lugar nas preocupações dos eleitores espanhóis no ano passado.
O governo socialista espanhol já pediu ajuda à União Européia para o patrulhamento que procura interceptar os barcos com migrantes e tenta convencer os países africanos a reprimir os traficantes de pessoas que cobram dinheiro dos migrantes para levá-los nas perigosas viagens marítimas em busca de uma vida melhor.