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Depressão atinge mais o trabalhador

Arquivo Geral

29/03/2004 0h00

Em parceria com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), a Universidade de Brasília (UnB) realizou um pesquisa para analisar os freqüentes afastamentos no ambiente do serviço. A revelação é que 48,8% dos trabalhadores que se afastam por mais de 15 dias do trabalho sofrem com algum problema de saúde mental, sendo que o principal motivo é a depressão.

A pesquisa foi motivada pela disparidade entre auxílios beneficiários, que são aqueles considerados sem nenhuma relação ao serviço, e os acidentários relacionados ao trabalho. Constatou-se que 99% dos benefícios concedidos do INSS para trabalhadores que sofreram transtornos mentais foram relacionados a problemas na vida pessoal, e não ao trabalho.

Pesquisadores da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB observaram quatro ramos de atividades: financeiros (bancários), fabricação de produtos químicos, fabricação de produtos de metal e metalurgia básica.

Índices mostraram que os bancários correm mais riscos de se afastarem do trabalho por mais de 15 dias consecutivos do que as outras profissões analisadas. De acordo com a coordenadora da pesquisa e professora Andergh Barbosa Branco, algumas atividades desgastam mais psicologicamente que outras. “É preciso mais consciência de que há profissões que realmente afetam a saúde mental das pessoas”, alerta.

Para a professora e pesquisadora do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho (PST) da UnB, Ione Vásquez, “a preocupação com a saúde do trabalhador começa com a Revolução Industrial e a aglomeração deles nas fábricas. No século 20, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) assumiu a questão. Só na década de 80, surge um setor dedicado aos trabalhadores no Ministério da Saúde”, explicou Ivone, falando sobre a evolução histórica da importância dada ao tema.

O resultado da pesquisa mostrou que, para cada mil do total de fabricantes de produtos químicos no Brasil, 2,37 trabalhadores se afastaram do serviço em 2002 por transtornos mentais recebendo benefícios do INSS. Já do total de bancários cadastrados, cerca de 419, 5 mil pessoas, pelo menos 6,04 funcionários para cada grupo de mil se afastaram do trabalho por mais de 15 dias pelo mesmo motivo.

Conclusão – A partir disso, a professora Anadergh reparou que existem fatores relacionados ao trabalho dos bancários (estresse, responsabilidade, pressão do chefe, entre outros) que afetam a saúde mental; os fatores são mascarados porque a maioria das licenças expedidas apresenta como causa do afastamento a vida particular de cada trabalhador.

A conclusão da pesquisa revela que as empresas devem assumir uma postura diferente quanto ao trabalhador. “As empresas e médicos contratados por elas precisam pesquisar, prevenir e assumir mais as responsabilidades dos efeitos à saúde gerados pelas condições em que o trabalho é desenvolvido e o impacto que o mesmo pode fazer sobre a saúde dos trabalhadores”, recomenda Anadergh.

Iniciativas- Alguns estabelecimentos já adotam algumas táticas para evitar a depressão e estresse, como ginástica laboral, salas de relaxamento, alterações na gestão organizacional, campanhas de prevenção ao alcoolismo e à depressão. “Tudo isso influencia positivamente na saúde mental do funcionário, o que faz aumentar a produtividade. Acredito que todas as empresas deveriam adotar essas medidas”, comenta a professora da UnB.

O estímulo às campanhas alternativas ajuda também a diminuir os gastos com tratamentos de doenças relacionadas à saúde mental.

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    A pesquisa foi motivada pela disparidade entre auxílios beneficiários, que são aqueles considerados sem nenhuma relação ao serviço, e os acidentários relacionados ao trabalho. Constatou-se que 99% dos benefícios concedidos do INSS para trabalhadores que sofreram transtornos mentais foram relacionados a problemas na vida pessoal, e não ao trabalho.

    Pesquisadores da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB observaram quatro ramos de atividades: financeiros (bancários), fabricação de produtos químicos, fabricação de produtos de metal e metalurgia básica.

    Índices mostraram que os bancários correm mais riscos de se afastarem do trabalho por mais de 15 dias consecutivos do que as outras profissões analisadas. De acordo com a coordenadora da pesquisa e professora Andergh Barbosa Branco, algumas atividades desgastam mais psicologicamente que outras. “É preciso mais consciência de que há profissões que realmente afetam a saúde mental das pessoas”, alerta.

    Para a professora e pesquisadora do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho (PST) da UnB, Ione Vásquez, “a preocupação com a saúde do trabalhador começa com a Revolução Industrial e a aglomeração deles nas fábricas. No século 20, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) assumiu a questão. Só na década de 80, surge um setor dedicado aos trabalhadores no Ministério da Saúde”, explicou Ivone, falando sobre a evolução histórica da importância dada ao tema.

    O resultado da pesquisa mostrou que, para cada mil do total de fabricantes de produtos químicos no Brasil, 2,37 trabalhadores se afastaram do serviço em 2002 por transtornos mentais recebendo benefícios do INSS. Já do total de bancários cadastrados, cerca de 419, 5 mil pessoas, pelo menos 6,04 funcionários para cada grupo de mil se afastaram do trabalho por mais de 15 dias pelo mesmo motivo.

    Conclusão – A partir disso, a professora Anadergh reparou que existem fatores relacionados ao trabalho dos bancários (estresse, responsabilidade, pressão do chefe, entre outros) que afetam a saúde mental; os fatores são mascarados porque a maioria das licenças expedidas apresenta como causa do afastamento a vida particular de cada trabalhador.

    A conclusão da pesquisa revela que as empresas devem assumir uma postura diferente quanto ao trabalhador. “As empresas e médicos contratados por elas precisam pesquisar, prevenir e assumir mais as responsabilidades dos efeitos à saúde gerados pelas condições em que o trabalho é desenvolvido e o impacto que o mesmo pode fazer sobre a saúde dos trabalhadores”, recomenda Anadergh.

    Iniciativas- Alguns estabelecimentos já adotam algumas táticas para evitar a depressão e estresse, como ginástica laboral, salas de relaxamento, alterações na gestão organizacional, campanhas de prevenção ao alcoolismo e à depressão. “Tudo isso influencia positivamente na saúde mental do funcionário, o que faz aumentar a produtividade. Acredito que todas as empresas deveriam adotar essas medidas”, comenta a professora da UnB.

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