Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) faz um resumo dos mais recentes estudos sobre o papel do cérebro na dependência química e classifica o problema como uma disfunção cerebral como qualquer outro distúrbio neurológico. Primeiro trabalho do gênero da OMS, o relatório “Neurociência do Uso de Substâncias Psicoativas e Dependência” aponta diversas causas para a dependência química, entre elas biológicas, genéticas, culturais e psicossociais.
Para Lee Jong-wook, diretor-geral da OMS, os problemas associados à dependência de tabaco, do álcool e de substâncias ilícitas merecem grande atenção dos órgãos públicos e necessitam de políticas eficazes e baratas para solucionar o problema. “Ainda há muitas lacunas sobre a dependência química, mas este relatório mostra que já conhecemos bastante sobre a natureza destes problemas”, disse Jong-wook.
No documento, a OMS faz um alerta para o aumento do consumo de tabaco em todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvimento. Nestes países, 50% dos homens e 9% das mulheres fumam. Em comparação com os países desenvolvidos, 35% dos homens e 22% das mulheres fumam.
O trabalho também mostra que a maconha continua sendo a droga mais consumida no mundo, seguida das anfetaminas e da cocaína. Mais de 20% dos jovens dos Estados Unidos e 8% da Europa Ocidental informaram já ter consumido pelo menos um tipo de substância ilícita, além da maconha.
A OMS ainda alerta para a difícil aceitação dos tratamentos tradicionais. De acordo com o relatório, a alternativa mais viável seria a aplicação de substâncias que simulam os efeitos de outras substâncias psicoativas sem alguns de seus efeitos mais prejudiciais.