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Decola, folhetim das oito!

Arquivo Geral

20/02/2004 0h00

A poucos passos de migrar honorariamente de Celebridade para Obviedade, a novela das oito da Globo parece ter ingressado em nova fase. Isso vem em tempo: é obra ancorada por um elenco de bom quilate, no qual justamente os protagonistas – Malu Mader e Marcos Palmeira, respectivamente Maria Clara e Fernando – andam, até então, visivelmente malsituados.

Como não é incomum acontecer na teledramaturgia “global”, a mudança de rumo precisa de um fato impactante para tomar corpo – e o assassinato de Lineu (Hugo Carvana) veio como uma luva para isso. Traz no rastro um argumento de originalidade raquítica – o mistério em torno do “quem matou?” já foi destaque em outras novelas e remonta a Agatha Christie –, mas, convenhamos, traz renovação.

Um personagem como Maria Clara merece mais gás nos scripts. Vai tê-lo de agora em diante. Primeiro, porque descobriu ser filha de Lineu – fato já levantado anteriormente na história, porém descartado pelo próprio Lineu em função da inexistência de uma circunstância específica para tal parentesco. Mas é mostrando as garras que ela vai tomar o vulto que merecem atriz e personagem.

No capítulo de hoje, por exemplo, Maria Clara quase vai sair no tapa com a mimada Beatriz (Deborah Evelyn) no Espaço Fama, palco de barracos e felicidades gerais do folhetim. Também voltará a enfrentar Laura (Cláudia Abreu) e, com isso, aproximar-se mais do clã dos malfeitores propriamente ditos. A qual lugar exatamente isso vai chegar, por enquanto é mistério. E que falta faz um mistério numa trama que se preze!

A verdade é que, se originalmente Celebridade existe para gravitar em torno de dois personagens principais, os que arrumaram para Malu Mader e Marcos Palmeira ainda estão aquém dessa órbita satisfatória. São papéis fracos que, vez por outra, até queimam o filme de dois atores tão bons. Colocam-lhes na boca discursos dignos de laboratório teatral, jamais de um papel à altura deles.

Como nada na vida tem um lado só – tampouco na Vila Sésamo geral da teledramaturgia brasileira –, há outros personagens, de importância menor do que os protagonistas, cujos intérpretes dão verdadeiros shows . Além de Cláudia Abreu e Deborah Evelyn, que estão arrebentando em suas interpretações, Nelito (Taumaturgo Ferreira), Darlene (Deborah Secco), Eliete (Isabela Garcia) e Paulo César (Paulinho Vilhena) estão entre os que têm roubado cena direto. Na pele de Fábio Assunção, o inescrupuloso Renato é outro caso à parte.

O mais fica por conta dos próximos capítulos. Agora que ensaiou engrenar, bem que Celebridade merece tratamento à altura. Uma dieta no opulento merchandising – ali se vende banco, bebida isotônica, produtos para a pele, operadora telefônica de âmbito nacional e muito mais – cairia bem. Telespectador, afinal, não é tão alienado assim.

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    20/02/2004 0h00

    A poucos passos de migrar honorariamente de Celebridade para Obviedade, a novela das oito da Globo parece ter ingressado em nova fase. Isso vem em tempo: é obra ancorada por um elenco de bom quilate, no qual justamente os protagonistas – Malu Mader e Marcos Palmeira, respectivamente Maria Clara e Fernando – andam, até então, visivelmente malsituados.

    Como não é incomum acontecer na teledramaturgia “global”, a mudança de rumo precisa de um fato impactante para tomar corpo – e o assassinato de Lineu (Hugo Carvana) veio como uma luva para isso. Traz no rastro um argumento de originalidade raquítica – o mistério em torno do “quem matou?” já foi destaque em outras novelas e remonta a Agatha Christie –, mas, convenhamos, traz renovação.

    Um personagem como Maria Clara merece mais gás nos scripts. Vai tê-lo de agora em diante. Primeiro, porque descobriu ser filha de Lineu – fato já levantado anteriormente na história, porém descartado pelo próprio Lineu em função da inexistência de uma circunstância específica para tal parentesco. Mas é mostrando as garras que ela vai tomar o vulto que merecem atriz e personagem.

    No capítulo de hoje, por exemplo, Maria Clara quase vai sair no tapa com a mimada Beatriz (Deborah Evelyn) no Espaço Fama, palco de barracos e felicidades gerais do folhetim. Também voltará a enfrentar Laura (Cláudia Abreu) e, com isso, aproximar-se mais do clã dos malfeitores propriamente ditos. A qual lugar exatamente isso vai chegar, por enquanto é mistério. E que falta faz um mistério numa trama que se preze!

    A verdade é que, se originalmente Celebridade existe para gravitar em torno de dois personagens principais, os que arrumaram para Malu Mader e Marcos Palmeira ainda estão aquém dessa órbita satisfatória. São papéis fracos que, vez por outra, até queimam o filme de dois atores tão bons. Colocam-lhes na boca discursos dignos de laboratório teatral, jamais de um papel à altura deles.

    Como nada na vida tem um lado só – tampouco na Vila Sésamo geral da teledramaturgia brasileira –, há outros personagens, de importância menor do que os protagonistas, cujos intérpretes dão verdadeiros shows . Além de Cláudia Abreu e Deborah Evelyn, que estão arrebentando em suas interpretações, Nelito (Taumaturgo Ferreira), Darlene (Deborah Secco), Eliete (Isabela Garcia) e Paulo César (Paulinho Vilhena) estão entre os que têm roubado cena direto. Na pele de Fábio Assunção, o inescrupuloso Renato é outro caso à parte.

    O mais fica por conta dos próximos capítulos. Agora que ensaiou engrenar, bem que Celebridade merece tratamento à altura. Uma dieta no opulento merchandising – ali se vende banco, bebida isotônica, produtos para a pele, operadora telefônica de âmbito nacional e muito mais – cairia bem. Telespectador, afinal, não é tão alienado assim.

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