A história do personagem de Marcos Paulo em Começar de Novo, a novela das sete da Globo que estréia amanhã, não chega a ser uma novidade, mais é uma das apostas do autor Antônio Calmon para conquistar o telespectador. O ator vai interpretar Andrei Ivanovich, um brasileiro que perde a memória e vai morar na Rússia. Lá, conhece a aspirante a atriz feita por Giselle Itié, com quem vive um grande amor. Mas, ele quer recuperar seu passado no País e com isso virá à tona todos seus fantasmas e uma velha e marcante paixão.
No argumento de Calmon, Andrei era Miguel Arcanjo, que perdeu a memória ao ser baleado na cabeça. Depois do atentado, ele se mudou para a Rússia, onde vira um homem bem-sucedido. Ao retornar ao Brasil após 30 anos, reencontra seu primeiro amor: Letícia (Natália do Vale).
Marcos Paulo estava há 12 anos sem fazer uma novela inteira. A última foi Despedida de Solteiro (1992). Dessa forma ele se vê como se estivesse começando de novo: “Não sabia se estava a fim de voltar. Estava inseguro. Mas fui me apaixonando pela sinopse, reencontrando um grande amor”, entrega ele, referindo-se prazer de atuar.
Em boa forma aos 53 anos, o ator não perdeu o posto nem a pinta de galã que tanto marcou as telenovelas brasileiras. Um título, aliás, que ele defende: “Hoje, não existe mais preconceito com essa palavra. O ator pode ser galã, mas fazer bem o seu papel. Sean Connery está aí para provar isso. Depois da morte de Marlon Brando, é meu ídolo”.
Em Começar de Novo, o personagem do ator vai entrar em um conflito amoroso já que antes de rever Letícia, vive um romance com Júlia (Giselle Itié), pelo menos 25 anos mais jovem. “Júlia fica apaixonada e lutará por Andrei até o fim”, garante Giselle.
O relacionamento com uma pessoa mais nova tem tudo para convencer. Marcos foi casado durante 10 anos com Flávia Alessandra, de 30, com quem teve Giulia, de 4. Desde junho, ele reatou com Ticiane Pinheiro, 26, o namoro que começou em setembro: “Paixão não tem idade. O que conta é a afinação de almas, de cabeça”, defende.
identidadeCom 37 anos de carreira, Marcos, que também escreveu a sinopse com Calmon (com quem trabalhou pela primeira vez em 2002, em Beijo do Vampiro, na direção), revela que se identifica com o núcleo da Vó Doidona (Marília Pêra) e do Vô Doidão (Luís Gustavo), ripongas que acreditam em ETs.
“Tive momentos de hippie antes da Globo. Aos 17 anos, sem grana, fiz bolsas e sandálias de couro a mão, em São Paulo”, recorda Marcos. “Nunca vi discos voadores, mas achei que tinha visto num Réveillon, em Friburgo. Mas, nos anos 70, a gente tinha mais facilidade para ver ETs”, brinca.
Em seu 39º trabalho como ator, Marcos acredita que os primeiros capítulos são determinantes: “No fim de uma trama bem-sucedida, o público fica viúvo e demora a se acostumar. Os primeiros capítulos determinam a relação do público com a novela”.