José urubuzou Maria, sábado à noite, durante uma apresentação do violonista Manoel, em seu show de samba rápido. Assim estaríamos falando se as palavras tivessem, realmente, seu sentido original. Na verdade, José azarou (paquerou) Maria no show de chorinho.
O jornalista e publicitário Márcio Bueno, lançou, no Rio de Janeiro, na última segunda-feira, o livro A Origem Curiosa das Palavras (José Olympio Editora). Trata-se da conclusão de suas pesquisas iniciadas em 1995 depois de constatar que sua mania (hobby) de colecionar histórias de palavras curiosas poderia se tornar um livro interessante.
As origens e ou significados das palavras pesquisados por Bueno revelam algumas surpresas e transformam o livro numa boa companhia para o trabalho ou o estudo. Entre as 199 páginas de A Origem Curiosa das Palavras podemos descobrir, por exemplo, que a gíria “bicho”, aplicada para “amigo, camarada, chapa” tem origem na classificação de calouro – estudante novato – do primeiro ano do curso secundário, hoje segundo grau.
A expressão “barriga-verde”, por exemplo, que designa pessoas vindas de Santa Catarina, surgiu em 1749, quando os soldados portugueses se deslocaram do Rio de Janeiro para Florianópolis com objetivo de defender a ilha. Eles usavam coletes verdes que cobriam a barriga. Daí, toda a população de Santa Catarina começou a ser identificada por essa marca.
Os funcionários públicos das categorias mais modestas, conhecidos por Barnabés, têm essa alcunha extraída de uma marchinha de Carnaval, Barnabé (Antônio Almeida/Haroldo Barbosa) de 1947, que diz no refrão: “Ai, ai, Barnabé/Ai, ai, funcionário letra E/Todo mundo anda de bonde/Só você é que vai a pé”.
A leitura do livro de Márcio Bueno é, muitas vezes, surpreendente. Quem poderia imaginar que “gaiato” – expressão inclusive utilizada por muitos “machões” como adjetivo de esperteza – é derivado de gay? A origem está na língua francesa. Gaiato é um galicismo que vem de “gai (alegre, jovial), o mesmo sentido que originou a expressão para identificar homossexuais, nos Estados Unidos.
E os idiotas? “Idiota”, na antigüidade, era aquele com opinião própria, pessoa privada, que nada tinha a ver com a coisa pública, com o Estado. Pelo visto, deturparam completamente a origem dessa palavra, hoje utilizada no sentido oposto. Na Grécia antiga, “povo idiota” era aquele que não tinha conhecimento das letras, um leigo. Os latinos deram a conotação pejorativa à expressão, para designar ignorância.