Muitas vezes temos vontade de voltar no tempo e agir de forma distinta da que fizemos. Não dizer uma frase, não sair e dizer que não voltaria, não duvidar, não brigar. Ou brigar, duvidar, desafiar, questionar. É sobre essa possibilidade, de retornar e mudar o curso do destino que fala a peça Vidas Passadas, em cartaz a partir de hoje na Sala Martins Penna do Teatro Nacional.
A montagem estreou há um ano e vem de uma bem-sucedida turnê no Nordeste. Sob direção de Renato Prieto, o elenco – composto por Rogério Faria, Maira Góes, Walther Margas, Fabíola Giardino e o próprio Prieto – representa uma história verídica, que ocorreu há 16 anos.
“Soube do caso porque os espíritos envolvidos me contaram por meio de dois médiuns, um deles o Chico Xavier”, explica o diretor, praticante espírita desde que nasceu. “Me interessei e decidir fazer o texto, com o cuidado de trocar todos os nomes”, afirma. Para compor o roteiro, Prieto utilizou-se ainda de material jornalístico, que relatou a história na época. Ela se passa em três planos: quem está vivo, quem já morreu e as vidas passadas.
Apesar da temática religiosa, Prieto conta que cerca de 50% da platéia normalmente não é formada por espíritas. “Apesar da crença, saber de onde viemos e para onde vamos é um tema que desperta curiosidade em todo mundo,” pensa. No cenário, duas torres simbolizam o caminho da vida e um telão exibe imagens de Chico Xavier da infância, a partir dos 12 anos, aos 92, quando faleceu.