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De fora do Mainstream, Heaven and hell chega a Brasília

Arquivo Geral

11/05/2009 0h00

Finalmente um show em Brasília que não represente a baba, a decadência ou mainstream musical. A apresentação única do Heaven & Hell, depois de amanhã, no Ginásio Nilson Nelson, dá um alento ao público da cidade que é fã do rock pesado. Vá lá que semanas atrás o Iron Maiden esteve por aqui, mas este tipo de banda não serve de parâmetro. Falo de Motörhead, Slayer, Exodus, Black Label Society, Gothard e outros que transitam entre a primeira e a segunda divisão do metal, que fizeram recentemente shows no Rio, em Recife, em São Paulo, em Curitiba e Porto Alegre, e sequer foram atraídos para por os pés aqui.


Por quê não coloquei o H&H como integrante absoluto da premier league do hard rock? Simples: parece ser o ato final de uma história de sucesso, começada no Black Sabbath 40 anos atrás e que deu filhotes excelentes, mas sem um décimo do carisma da velha banda de Birminghan, Inglaterra. Seus integrantes originais, o riffmaster Tony Iommi e o ultrabaixista Terry Geezer Butler, levaram o nome Black Sabbath a uma espécie de exaustão que o melhor foi mesmo um contrato para dar um fim digno à marca. Explica-se. Quando eles dois, mais os membros originais do Sabbath – o grande Ozzy Osbourne e o gentleman Bill Ward – se reuniram em 1998 para uma série de shows, do qual saiu o álbum duplo Re u n i o n , contratualmente ficou acertado que Black Sabbath seria apenas o grupo formado por Iommi, Osbourne, Butler e Ward. Esse time, aliás, legou ao rock clássicos como Black Sabbath, Paranoid, Master of Reality, Volume Four, Sabbath Bloody Sabbath, Sabotage, Technical ecstasy e Never Say Die.


Os mais radicais consideram que o que veio depois não é “bem” o Sabbath. Bobagem. Ronnie James Dio imprimiu sua marca à banda, ainda que tenha gravado somente quatro discos: Heaven and Hell, Mob Rules, Live Evil e, numa reunião posterior, Dehumanizer. Nesse meio tempo, Iommi tentou sustentar a mística trocando a formação do Sabbath várias
vezes, geralmente com cantores (Ian Gillan, Glenn Hughes, Tony Martin, Ray Gillen e até
Rob Halford) e bateristas (Vinnie Appice, definitivo no H&H, Eric Singer, Cozy Powell, Bobby Rondinelli) de excelente nível. Butler entrava e saía conforme as conveniências. OH&Hé o melhor que poderia acontecer a Iommi, Dio, Butler e Appice. Ponto a ponto: Tony Iommi não conseguiu emplacar seu Iommi, com três ótimos discos, mas sem formação fixa; Ronnie James Dio arrastava seu Dio de forma burocrática e sem brilho – e ainda perdeu o excelente Doug Aldrich para o interminável Whitesnake; Geezer Butler fez três discos muito bons com o GZR, mas
também, de fixo, eram apenas ele e o guitarrista Pedro Howse; e Vinnie Appice se
perdeu no meio de inúmeros bons bateristas, sempre à sombra do irmão mais talentoso e
mais velho, Carmine.


Quer dizer que o H&H foi bom para todo mundo. A estréia foi com um duo de CD e DVD ao vivo gravado no Radio City Music Hall, em Nova York. E bastou. Apenas duas novas composições (The Devil Cried e Shadow of the Wind) e o restante números que marcaram a segunda e a terceira fases do Sabbath: Heaven and Hell, Voodoo, Lady Evil, Mob Rules, Lonely is the World, I, Falling of the Edge of the World – e por aí vai. Vale dizer que os quatro, separadamente e com suas próprias bandas, jamais arranjariam espaço na apertada e elitizada agenda do Radio Music.


Claro que o peso dos anos é percebido, sobretudo para Ronnie James Dio. Na faixa dos 65 anos, vem cantando em registro mais baixo para poder dar conta do recado. Isso, porém, só os mais atentos percebem e os mais chatos se incomodam, porque não muda nada expressivamente. Butler se sacode menos que em outras épocas, Appice continua durão
tocando bateria e Iommi sempre compenetrado no canto direito do palco.


Isso tudo para dizer que vale a pena, sobretudo se vier o mesmo cenário do DVD do show no Radio Music. Mas, se não vier, não esquente a cabeça: o show do H&H tem tudo para ser inesquecível. E para atrair para a Brasília de asas e calipsos bandas de calibre internacional.

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