A despeito do atraso – a verba de R$ 1,2 milhão destinada ao evento, que deveria ter chegado à escola em setembro ou outubro passado, foi liberada pelo novo governo do DF no último dia 9 –, começa nesta quarta-feira o 29º Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (EMB).
A abertura se dará com apresentação, às 20h, no Teatro Levino de Alcântara, do grupo PerSonare, interpretando composições de Mozart e de Haydn. Na segunda parte da apresentação, composições de Villa-Lobos, Astor Piazzola, Toquinho e Vinicius de Morais serão executadas pelo grupo Metais e Cia, sob direção musical de Fernando Morais.
"Em três dias fizemos o que não pode ser feito em seis meses", afirmou o maestro e diretor da EMB, Carlos Galvão. O maestro atribui a celeridade da liberação e a própria realização do curso – que se estenderá até o dia 3 de fevereiro – a dois fatores.
"Primeiro, à sensibilidade dos técnicos da equipe gestora do setor de cultura da equipe do governador José Roberto Arruda. E, depois, à credibilidade nacional e internacional adquirida pelo EMB ao longo desses quase 30 anos de existência", disse.
"Durante a realização do curso, que este ano será de 18 dias, transformamos Brasília na capital do continente americano da música", avaliou Carlos Galvão. E concluiu: "O grande diferencial do curso é o que se oferece aos alunos, além das aulas com professores renomados: alimentação e hospedagem".
Para o maestro, este fato possibilita que alunos com poucos recursos participem do curso. "Ao invés do bolso, o que os iguala é o talento", afirmou.
O Curso de Verão da EMB se destina a compositores, regentes, intérpretes, musicólogos, educadores e estudantes de música em geral. A proposta é analisar e discutir a música sem restrições de gênero ou estilo, sem limitações estético-formais.
Este ano, participarão do curso da EMB cerca de 900 alunos – do Brasil e de países vizinhos – e 72 professores, entre eles 16 do exterior. A taxa de inscrição custa R$ 150 para uma das atividades do curso; para duas, o preço sobe para R$ 200.
As aulas de Direção Cênica de Espetáculo – que, pela primeira vez, serão ministradas em Brasília – são a grande novidade desta edição. Serão oferecidos também cursos de 50 modalidades de instrumentos e de canto, entre os quais cinco da área de teoria musical avançada – como Trilhas Sonoras para Cinema e TV, Harmonia, Improvisação, Musicografia Braile e Etnomusicologia Participativa.
Na área da música erudita, serão oferecidos 33 cursos – entre eles regência orquestral; coral adulto; coral infantil; prática de conjunto de orquestra; big band; banda sinfônica; flauta transversa; oboé; clarineta; fagote; trompa; trompete erudito; trombone erudito; bombardino; tuba; saxofone erudito; violino; viola; violoncelo; contrabaixo; piano; harpa; percussão erudita; violão erudito; canto erudito; canção brasileira; flauta doce; cravo; flauta transversa barroca; viola da gamba; prática de conjunto de música antiga e música de câmara. Na área da música popular, serão oferecidos cursos de saxofone, violão, orquestra de violões, viola caipira, guitarra elétrica, piano, baixo acústico, baixo elétrico, bateria, percussão e canto.
Durante o evento serão realizadas 110 apresentações que ocuparão as duas salas da EMB – a Levino de Alcântara e a Maestro Carlos Galvão – e as três do Teatro Nacional – a Villa-Lobos, a Alberto Nepomuceno e a Martins Penna, em apresentações matinais, vespertinas e noturnas.
"Nesta edição do curso de verão serão homenageados seis compositores de música clássica. De praxe, são escolhidos aqueles que, no ano, completam datas cheias de nascimento ou falecimento", informa Carlos Galvão. As obras dos homenageados têm prioridade nas apresentações dos alunos e concertos.
Assim, o público brasiliense terá a oportunidade de conhecer algo do repertório do compositor alemão Cristoph Willibald Gluck, falecido em 1787; do russo Mikhail Glinka, homenageado pelos 150 anos de seu falecimento; do norueguês Edvard Grieg, que morreu há cem anos; do italiano Giuseppe Domenico Scarlatti, homenageado pelos 250 anos de seu falecimento.
"Os outros dois homenageados são os nossos compositores Villa-Lobos e Camargo Guarnieri", disse Carlos Galvão. Este ano será comemorado um século do nascimento Camargo Guarnieri, que deixou mais de 700 composições.
De Villa-Lobos – considerado o maior compositor clássico brasileiro, que deixou mais de mil composições de vários gêneros – por sua vez, se homenageia os 120 anos de nascimento.