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Crônica do desespero

Arquivo Geral

18/04/2008 0h00

Christophe Honoré resgata o charme do musical e também homenageia os principais momentos da Nouvelle Vague em seu filme Em Paris, lançado originalmente no circuito da cidade no ano passado, dentro da programação do 6° Festival Varilux do Cinema Francês.

A comédia dramática Em Paris entra nos trilhos de um romantismo desesperado, que acompanha os personagens ao longo de um dia em sua vidas. O diretor e roteirista Christophe Honoré demonstra um carinho enorme por seus protagonistas: os irmãos Jonathan (Louis Garrell) e Paul (Romain Duris).

Mas o carinho maior do cineasta é pelo cinema francês. O longa desenvolve-se como uma colagem de melhores momentos dos mais variados estilos e escolas – em especial a Nouvelle Vague, um dos principais movimentos de renovação do cinema francês, nos anos 1950 e 60.

Do cineasta Jean-Luc Godard, Honoré pega emprestado cortes e monólogos nos quais os personagens falam olhando diretamente para a câmera, como a cena inicial. Inspira-se em François Truffaut para compor o clima de seu romantismo e a visão dos relacionamentos amorosos – em especial, a partir de filmes como Domicílio Conjugal e Beijos Roubados.

Do cinema de Jacques Démy, vem o tom musical – numa das cenas mais tocantes do filme, um dueto via telefone. Os diálogos, nos quais se tenta resolver tudo, remetem ao melhor do cinema de Jacques Rivette e Eric Rohmer.

Mas Honoré não é apenas um aprendiz. Ele reverencia seus mestres, mas sabe fazer seu próprio cinema ao contar as desventuras amorosas dos irmãos. Os dois são apresentados em forma de contrastes: luz e sombra, alegria e tristeza, esperança e desespero. Jonathan simboliza todos os pontos positivos. Paul acaba de sofrer uma decepção amorosa, mal consegue sair da cama, tamanha sua depressão.

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