imagens cruentas de morte e sofrimento estão por toda parte numa exposição de arte montada pelo cineasta David Cronenberg, cujos filmes frequentemente incluem drama e sangue em doses semelhantes ao que está sendo mostrado na exposição em Toronto.
A mostra dos trabalhos de Andy Warhol reúne mais de 25 pinturas e sete filmes, muitos dos quais põem em evidência o lado sombrio do artista pop americano.
Os trabalhos incluem imagens perturbadoras de desastres automobilísticos sangrentos, suicídios e a cadeira elétrica, ao lado de ícones mais familiares como os retratos coloridos de Jackie Kennedy e Elvis Presley.
Em entrevista em que falou da exposição, que ficará aberta até outubro na Art Gallery de Ontario, Cronenberg comentou: "Andy estava fazendo trabalhos bem pesados. O Warhol que se vê nestas obras não é o Andy Warhol de nosso avô."
Os filmes surrealistas e assustadores de Cronenberg, como A Mosca e o mais recente "Marcas da Violência", fundem o físico com o psicológico e incluem cenas encharcadas de sangue. Em coletiva de imprensa, o diretor disse que Andy Warhol é uma inspiração para ele.
"Ele foi o verdadeiro anti-Hollywood", disse Cronenberg. "Não era preciso cursar a escola ou abrir caminho pelos sindicatos de Hollywood. Bastava pegar sua câmera e criar seu próprio trabalho. Sinto uma relação real de proximidade com Andy, como cineasta iniciante."
Cronenberg disse que exercer o papel de curador da exposição é semelhante a seu trabalho principal.
"Foi algo com uma proximidade espantosa com fazer cinema", disse o cineasta, com os cabelos brancos revoltos e o paletó preto que são sua marca registrada. "É a arte do possível."
Os trabalhos da exposição foram concluídos entre 1962 e 1964 e incluem filmes underground como "Empire State", uma imagem estática do Empire State Building, com oito horas de duração.
Os filmes são projetados nas paredes, ao lado dos quadros. É a primeira vez que os filmes são exibidos com tanto destaque numa mostra de Warhol.
David Cronenberg disse que espera que a exposição leve as pessoas a reavaliar sua visão de Andy Warhol.
"A compreensão que se tem de Andy, de modo geral, é superficial", disse Cronenberg, diante de uma pintura árida e descolorida de uma vítima de colisão automobilística empalada num poste telefônico. "Andy era um artista profundo e que não se esquivava de encarar temas pesados, mas isso se perdeu no meio das latas de sopa."
De fato, com seu foco sobre pinturas simples e imagens em silk-screen de bens de consumo e celebridades, Warhol é ainda mais relevante hoje, 40 anos depois de ter produzido a maior parte de sua arte, segundo Cronenberg.
"Ninguém compreendia a celebridade como Andy", disse Cronenberg. "Hoje estamos vivendo o pesadelo Warhol, o pesadelo Paris Hilton."