E agora é o fim de Sylvester Stallone. Porque, se Rocky Balboa, o sexto filme da franquia do Garanhão Italiano, não passa de simpático, Rambo 4 (o que dizer?) é, no máximo, razoável diversão. Não acredito que, depois disso, Stallone insistirá em acordar seus fantasmas amodorrados e reviver um heróico passado em disputas de título de brutamontes com Vin Diesel ou The Rock. Ou, será que Stallone levaria a sério perpetuar jornadas de personagens como Stallone Cobra (1986) ou Lincoln Hawk, de Falcão (1987)?
Rambo 4 é o último suspiro do Stallone autor. Afinal, a ele credita-se a concepção de Rocky – Um Lutador, roteiro de Rambo – Programado Para Matar e a perseverança de fazer ambas franquias um marco da cultura do cinema de ação de Hollywood do final dos anos 70 e início da década de 1980.
Rocky ou Rambo, ambos surgem em seus últimos capítulos com tratamento fetichista de seu diretor, roteirista, produtor e protagonista. A proximidade do lançamento dos dois filmes (Rocky Balboa, em 2006, e Rambo 4, hoje) também aproxima as produções uma da outra. O mesmo olhar (talvez único olhar, não se pode exigir tanto de Stallone) sobre o peso da idade e a vontade de não estar mais nem aí para a vida sustentam ambos os dramas.
E para os dois personagens funciona o mesmo argumento: peso na conciência. Só que esse recorte para John Rambo é muito mais superficial, uma vez que seu personagem seria um pouco mais complexo, dado ao seu isolamento.
Mas Stallone não aproveita esse recurso. Faz um filme pequeno, respeita a “tradição” – ou seja, o que o espectador espera ver, verá –, e passa longe de ressuscitar um sucesso. O filme vai atrair, inevitavelmente, curiosos, fãs incondicionais ou incuráveis, mas é impossível que marque um momento na carreira de Stallone ou mesmo da franquia, por mais rasa que seja.
Se Rocky Balboa serviu apenas para pregar a teimosia do pugilista que só ganha depois de muito apanhar, Rambo 4 desconta todo o potencial de carnificina poupado nas guerras e guerrilhas anteriores em abuso de seqüências de tiroteios e mortes estampados em coreografias viscosas de pedaços de corpos nitidamente voando pela selva, no caso, da Birmânia.
Finda carreira dos personagens que imprimiram o nome de Sylvester Stallone no hall da fama, resta a ele tocar a vida para frente. Sem luvas e sem bandana vermelha na cabeça. Chega, né?