A crítica de arte mexicana Raquel Tibol pediu hoje às autoridades culturais do México que certifiquem a autenticidade de duas obras que fazem parte da exposição Frida Kahlo, Homenagem Nacional, inaugurada no dia 13 de junho no Palácio de Belas Artes.
Tibol, autora de vários livros sobre as escrituras de Frida Kahlo (1907-1954), disse hoje à agência Efe que se trata do Retrato de Alejandro Gómez Arias e de outro quadro nunca antes exposto, intitulado Cabeza de Isolda, a sobrinha da artista.
A imprensa mexicana divulgou hoje as suspeitas de Tibol, que conhece muito bem a obra de Frida Kahlo.
“Para meu olhar, nenhuma das duas obras foi feita por Frida, mas não é a última palavra. Eu peço às autoridades do Instituto Nacional de Belas Artes que façam análises sérias, que submetam a vários tipos de análise”, afirmou.
Tibol disse que no caso do desenho é mais simples autentificá-lo, porque se deve consultar grafólogos, calígrafos e “os melhores do país. Os mais confiáveis são os do Banco do México”.
Quanto à pintura, a especialista destacou que o Museu de Arte de Nova York tem todos os aparelhos necessários para tirar uma conclusão científica da autoria do quadro.
“Hoje nem se tem que tirar um pedaço da pintura para conhecer sua autenticidade. Isto é o que peço, não dou a última palavra”, afirmou.
A crítica de arte, que foi secretária particular de Diego Rivera, marido de Frida, disse que não é a primeira vez que pede que se faça um estudo sério no retrato de Alejandro Gómez Arias.
Ela mesma já tinha solicitado uma análise anteriormente e lembrou que a colecionadora Dolores Olmedo concordou que a pintura é falsa.
“Este quadro veio a público nos anos 90, antes não era conhecido”, afirmou Tibol.
Sobre as exposições realizadas em torno do centenário do nascimento de Kahlo, celebrado este ano, Tibol disse que há coisas muito positivas, mas há outras desnecessárias, como dizer que Frida era fotógrafa, quando só foram encontradas duas imagens dela.
Tibol explicou que, para afirmar que Frida era escritora, fez duas coletas de textos, uma primeira com 150 escritos e outra intitulada “Escrituras, Frida Kahlo”, com 300 documentos.
Ao se referir aos arquivos divulgados há poucos dias na Casa Azul de Coyoacán, Tibol afirmou que os estudiosos esperavam por eles, porque pensam “que aí se encontrarão elementos fundamentais para corrigir ou completar as imagens artísticas, humanas, políticas e sociais de Diego Rivera e Frida Kahlo”.
No entanto, reconheceu que até o momento se sabe pouco do necessário ou que faça mudar a concepção que existe dos dois artistas, entre os mais célebres do México no século XX.
A exposição Frida Kahlo, Homenagem Nacional no Palácio de Belas Artes é considerada a maior já realizada no mundo sobre a artista mexicana.
A mostra inaugurada este mês reúne 354 obras entre pinturas, desenhos, cartas, fotografias, que dão uma visão integral de quem foi a mulher do muralista mexicano Diego Rivera.