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Crítica do filme <i>Ventos da Liberdade</i>

Arquivo Geral

16/04/2007 0h00

Quando a distribuidora brasileira California Filmes traduziu o título do novo filme de Ken Loach (de Terra e Liberdade e Pão e Rosas), ignorou um dos personagens principais da trama épica desenhada pelo diretor inglês em Ventos da Liberdade, que estréia hoje nos cinemas: a produção não evoca a liberdade. Pelo contrário: é uma história sobre o desejo de alcançar o sonho intangível.

Foi esquecido também um importante personagem, sugerido no final so título original The Wind that Shakes the Barley (ou, o vento que balança a cevada) – uma corrente de ar que é tão protagonista quanto a cevada, apesar de ambos surgirem como meros adereços cênicos da luta de trabalhadores irlandeses pelo fim do jugo das tropas inglesas.

O vento que rege a coreografia dos campos de batalha impõe o ritmo do filme, pontuado por três momentos de clímax, antes do desfecho. A cevada é, dos cereais, o mais sensível à acidez do solo – ou seja, obedece ao humor da terra onde plantou raízes. Em batalha, os irlandeses – que se camuflam, com armas em punho, entre as plantações de grãos de malte, para surpreender os oficiais ingleses e defender o Livre Estado da Irlanda – reagem da mesma maneira.

IRA
A trama recorta a instabilidade da luta armada orquestrada por integrantes do IRA na Irlanda dos anos 1920. Direciona-se, no primeiro momento, à indignação dos jovens miliantes, sedentos por libertar-se dos grilhões da Coroa Britânica (Inglaterra, País de Gales e Escócia, que mais adiante incorporaria a Irlanda do Norte). Em seguida, acompanha a formação da corte irlandesa livre; e, enfim, o rompimento entre os ideias libertários e conservadores do próprio movimento sindical.

Loach dá liga à argumentação política e revolta civil com linha dramática poderosa – na mesma linha de seu clássico Terra e Liberdade, de 1995. Damien (Cillian Murphy), o irmão e líder Teddy (Padraic Delaney) e a namorada Sinead (Orla Fitzgerald) compõem o triângulo alvo das dissenções do grupo, dos ideais e deles próprios. Ideais são colocados à prova em guerras de mártires, e o filme convida a essa reflexão  – não sobre liberdade, mas sobre os ventos das doutrinas políticas que sopravam no início do século 20, numa ilha européia.


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