Dois meninos atiram sem querer em uma americana no Marrocos e o acidente é tratado pela imprensa e pelas autoridades americanas como um ato terrorista. Uma babá mexicana que cuida de crianças americanas as leva para um casamento no México sem os pais saberem e tem problemas na hora de voltar aos Estados Unidos. Uma adolescente japonesa surda e muda encontra o corpo da mãe, que se suicidou, e se isola em seu próprio mundo, sem se dar bem com o pai.
O que renderia três bons roteiros está reunido em apenas um filme: Babel, obra de Alejandro Gonzáles-Iñarritu que ganhou o Globo de Ouro de melhor filme dramático e larga na frente na corrida pelo Oscar.
Por mais incrível que possa parecer a salada de histórias de Babel funciona muito bem. Talvez pelas mãos firmes com que Iñarritu conduz o filme, ou pela garra com que o elenco se entrega à obra, ou, ainda, pelo roteiro de Guillermo Arriaga, que perdeu o Globo de Ouro para Peter Morgan, de A Rainha.
Estão no filme Cate Blanchett, Gael García Bernal e um Brad Pitt mais maduro tanto física como artisticamente, que chegou a ser indicado ao Globo de Ouro de ator coadjuvante e perdeu para Eddie Murphy, de DreamGirls. Completam o time as competentes Adriana Barraza e Rinko Kikuchi, que perderam o Globo de Ouro de coadjuvante para Jeniffer Hudson, de Dreamgirls. O elenco de Babel concorre por seu conjunto ao prêmio do sindicato dos atores dos Estados Unidos.
Além das atuações e do roteiro, chama a atenção em Babel a trilha sonora discreta, porém eficiente. Ela permeia as cenas e ajuda o público a entrar no clima dos vários cenários propostos pelo filme. Até mesmo quando está ausente – em muitas cenas da personagem surda de Rinko Kikuchi que são marcadas pelo silêncio – a trilha mostra ao que veio.
Assim também é Babel: mostra ao que veio em pouco mais de duas horas, Veio buscar um Oscar num filme que nas mãos de um diretor e roteirista menos experientes poderia render uma enorme colcha de retalhos que poderia transformar um filme numa enorme babel, onde se falam línguas diferentes e ninguém se entende.