O Grupo Corpo apresenta um espetáculo repleto de ineditismos de hoje a domingo, em Brasília. Prestes a virar balzaquiana (o grupo celebra 30 anos de existência ano que vem), a trupe mineira de dança preparou o espetáculo Lecuona, inspirada na obra do músico cubano Ernesto Lecuona (1895-1963).
E aí vem a primeira novidade. Desde 1992, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras monta as coreografias inspirado em músicas compostas exclusivamente para a trilha de seus espetáculos. “Consideramos Lecuona um parênteses na trajetória do Corpo”, afirma Fernando Veloso, cenógrafo e coordenador de programação do grupo. “O espetáculo é um caso especial porque há muito tempo Pederneiras gostaria de montá-lo, desde o fim da década de 80”, completa Veloso.
A demora ocorreu por dois motivos: a dificuldade para encontrar obras do compositor (Pederneiras conseguiu adquirí-las na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos) e o processo para obter os direitos legais.
Pela primeira vez o grupo apresentará um espetáculo formado que exclusivamente de pas-de-deux. Somente a última parte, uma valsa, é dançada por mais de dois bailarinos. “É uma diferença bastante marcante na estrutura de quem está habituado a assistir aos nossos espetáculos”, conta Veloso.
O figurino também traz pioneirismo. Em Lecuona, cada bailarino tem uma roupa distinta, criada somente para ele. E mais: pela primeira vez as bailarinas dançam de salto alto. “A característica mais marcante do espetáculo é o romantismo e a sensualidade presentes nas canções de Lecuona. O salto alto vem trazer essa elegância às dançarinas”, explica Veloso.
Os vestidos são leves, sensuais, românticos, cheios de babados e decotes profundos. “Em relação às cores das roupas, brincamos com a iluminação ora enfatizando-as, ora contrapondo-as”, conta Veloso.
Depois de Lecuona, que dura 45 minutos, será apresentado o espetáculo Nazareth, também de 45 minutos. Criado em 1993, ele foi escolhido por Pederneiras porque tinha muito tempo que eles não o interpretavam. “Além disso, é um gostinho para o público da montagem do ano que vem, que será feita sobre canções de Zé Miguel Wisnik, que trabalhou na trilha de Nazareth, com obras de Ernesto Nazareth”, afirma Veloso.
A coreografia em homenagem aos 30 anos do Corpo terá trilha sonora composta também por Caetano Veloso, inspirada em declaração de Nelson Rodrigues.