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Convênio de trabalho entre atores e Hollywood expira sem acordo

Arquivo Geral

30/06/2008 0h00

O convênio de trabalho que rege as relações entre os atores e os estúdios de Hollywood expira hoje, (30), sem um acordo entre as partes para estabelecer um novo marco laboral que dissipe os temores de uma greve que nenhum dos lados deseja.


À meia-noite de hoje termina o contrato em vigor e começa um período de incerteza originado pelo sindicato majoritário, Screen Actors Guild (SAG), em sua luta solitária contra as produtoras por melhores condições de trabalho.


A organização exige da indústria que os atores recebam sua parte dos lucros das produções independente do formato no qual são distribuídas, assim como um aumento dos salários, pagamentos de seguro médico, ajuda por deslocamento e proteção contra o uso de publicidade integrada nas realizações.


Em sua cruzada, o SAG se opôs aos compromissos alcançados pelo resto de sindicatos com a indústria, representada pela Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), porque os considera insuficientes.


Com os prazos ordinários de negociação esgotados, o SAG começou um enfrentamento com o segundo sindicato em número de filiados, a American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA), para tentar convencer seus membros a se oporem ao pacto com a AMPTP.


A situação colocou Hollywood dentro de uma guerra psicológica na qual os adversários se valem do medo de uma indesejada greve para tentar alcançar seus objetivos.


Em um anúncio divulgado hoje e intitulado “Prejudicial e Desnecessária”, no qual aparecem silhuetas de pessoas segurando cartazes nos quais está escrita a palavra “greve”, a AMPTP apontou o SAG como o único culpado de uma possível paralisação brusca na indústria.


“Já chega”, insiste a mensagem dos estúdios sobre os custos que representaria a greve para o setor, principalmente depois dos bilhões de dólares em perdas originados pela recente rebelião de 100 dias dos roteiristas.


A AFTRA qualificou de “ataque sem precedentes” a campanha iniciada pelo SAG para evitar que seja aprovada sua nova proposta de convênio no plebiscito iniciado entre os filiados, muitos deles membros de ambos os sindicatos, e cujos resultados serão anunciados em 8 de julho.


“Não se trata de política, é sim de pagamento”, afirma a AFTRA em comunicado.


Um “não” ao acordo “significa votar para autorizar uma greve. Que não se enganem”, acrescenta o texto.


O presidente do SAG, Alan Rosenberg, justificou a posição de sua organização e tentou acalmar os ânimos.


“Não tomamos passos para iniciar uma votação para permitir uma greve. Qualquer conversa sobre uma interrupção brusca a esta altura é uma simples distração. O comitê nacional do Screen Actors Guild se senta diariamente à mesa de negociações com a boa intenção de obter um contrato justo”, afirmou Rosenberg.


Embora o SAG esteja evitando falar de greve, o sindicato não descarta esta opção, guardada como um dos últimos recursos, apesar de os dirigentes terem consciência de que Hollywood não está bem humorada para encarar uma segunda paralisação brusca em menos de um ano.


Os especialistas acreditam que o processo de negociação seguirá estagnado até que se saiba se o convênio negociado pela AFTRA será aceito.


Em caso negativo, o SAG seria apoiado para endurecer sua posição frente à AMPTP e ganharia em confiança na hora de jogar com o trunfo da greve perante a indústria.


O sindicato precisaria do apoio de 75% de seus filiados para conseguir a paralisação brusca no setor.


Se os membros da AFTRA acabarem dando seu respaldo ao novo contrato, o SAG se veria obrigado a reformular sua postura ou convocar uma greve e correr o risco de que os atores lhe dêem as costas.


O conflito dividiu inclusive as estrelas do cinema: se Tom Hanks, Kevin Spacey e Alec Baldwin saíram em apoio à AFTRA, Jack Nicholson, Ben Stiller e Martin Sheen ficaram do lado do SAG.


Enquanto se esclarecem as dúvidas, o SAG apostou em prorrogar o atual convênio, para o que precisaria do beneplácito da AMPTP, que poderia rejeitar a proposta e tentar impor suas condições.

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