A acne tem um sem número de medicamentos indicados para reduzir os danos estéticos que provocam. Ninguém contudo poderia imaginar que entre estes remédios poderia se incluir um anticoncepcional, afinal estes são usados para evitar a gravidez. A indústria farmacêutica, contudo, está lançando uma geração de contraceptivos com algumas substâncias químicas que agem contra aquelas irritantes inflamações no rosto.
Parece até mágica, mas os novos contraceptivos deverão ser indicados assim para o tratamento, entre outros problemas, de espinhas e cravos, além do controle da oleosidade da pele e a redução dos “pelinhos” no rosto. As substâncias contidas no medicamento possui ainda, por fim, ação diurética, ou seja, não provocam a retenção de líquidos, que é uma das causas do aparecimento da celulite, feito colateral mais comum e irritante dos anticoncepcionais.
Antes dessa nova geração, os contraceptivos orais usavam os componentes estrogênico, progestogênico (hormônios femininos) e androgênico como base para provocar a suspensão da ovulação. Dentre eles o andrógeno, hormônio masculino, é o grande vilão da história. É ele quem a oleosidade da pele e causa retenção de líquidos.
O aumento do estímulo de todos aqueles hormônios sexuais, provocado, por exemplo, por anticoncepcionais ou por disfunções orgânicas, provoca a elevação da produção das glândulas sebáceas. Isto acaba levando por sua vez ao crescimento da produção de pêlos, acne, seborréia, oleosidade e até queda de cabelo, como explica a dermatologista Ligia Kogos. “O equilíbrio entre esses hormônios é que determina a saúde da pele”, completa.
Pois é exatamente o andrógeno que é atacado de frente pela nova geração de anticoncepcionais. As pílulas têm uma ação que reduz os efeitos colaterais indesejáveis do hormônio sem prejudicar o objetivo anticoncepcional do medicamento.
Até agora são três os contraceptivos que possuem esse fator extra: o à base de desogestrel; de drospirenona; e de acetato de ciproterona, que, aliás, foi originalmente desenvolvido como um tratamento dermatológico, segundo o próprio fabricante.
Dica”Essas pílulas agem diminuindo os efeitos nocivos dos hormônios masculinos”, afirma Kogos. A dermatologista adverte, porém, que a prescrição de anticoncepcional não é a primeira indicação para o tratamento e combate a acne, já que existem remédios exclusivos para isso. O up grade conseguido com a nova geração faz com que a especialista aconselhe: “Se a paciente usa uma pílula antiga ou deseja iniciar seu consumo, indico uma dessa nova geração com a orientação de um ginecologista”.
Contudo é preciso ter cuidado para não abusar da novidade. É o que pensa a chefe do Departamento de Dermatologia da PUC (Campinas), Lúcia Arruda. Ela defende que não se deve usar o medicamento indiscriminadamente e que eles são eficazes apenas nos casos em que os problemas de pele ou a celulite são causados por disfunções hormonais.
No caso do efeito de redução da celulite ou o impedimento de sua proliferação, exige que seja feito atividades físicas e que se tenha uma alimentação regular. A eficiência vem com esta dobradinha.