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Contestadora arte que vem da guerra

Arquivo Geral

21/08/2004 0h00

O Brasil tenta viver um clima de paz, com a campanha nacional de desarmamento. O mote não poderia ser melhor para a abertura da exposição inédita Da Arma de Fogo à Arte, da artista norueguesa Janicke Olsen, em cartaz no Salão Negro do Palácio da Justiça até a próxima sexta-feira.

Janicke Olsen usa como matéria-prima para sua arte objetos inusitados: armas de fogo. Delas, cria peças de uso cotidiano, como relógios, móbiles, porta-jóias e até um tabuleiro de jogo de xadrez.

Mas não são armas comuns. São revólveres que tenham matado alguém, armas que fizeram parte de conflitos na África, no Afeganistão. “Quando tinha 21 anos, meu noivo foi morto com um tiro em uma boate, na Noruega”, lembra. “Esse fato mudou a minha vida. Por isso decidi usar a arte para evitar que as pessoas esqueçam os crimes”, resume.

Para atingir esse objetivo, Janicke expõe as obras com o histórico da arma ao lado. “Isso é para ver se as pessoas entendem as terríveis conseqüências desses objetos”, afirma. Cada objeto ocupará uma parede móvel e será acompanhado de um painel explicativo, inclusive com imagens das armas originais e informações sobre a utilização delas.

Dois exemplos dos seus trabalhos: em 2003, Olsen transformou em arte uma arma que foi usada por uma criança que participou como soldado da guerra civil de Serra Leoa, na África. A peça foi exposta durante o Congresso Mundial da Associação de Polícia Internacional (IPA), realizado em Trondheim, na Noruega, no mesmo ano; em dezembro do mesmo ano, ela visitou o Afeganistão e recebeu três armas de fogo usadas pelos soldados do Taleban. Com a ajuda de artistas locais, fez esculturas na Universidade de Kabul. “Como ainda vivemos em um mundo onde as armas existem em grande quantidade, tento mudar sua utilidade para algo pacífico. Desejo transformar fisicamente estes utensílios, que são construídos para matar, em ferramentas úteis que, em sua nova forma, não são feitas para ferir uma pessoa”, pensa.

Aqui em Brasília, além de mostrar as peças que já fez, Janicke irá realizar um workshop de dois dias para mostrar o processo de remodelagem de um revólver Taurus, usado em um homicídio ocorrido na cidade, em 2001. “Estou pensando em fazer um quebra-cabeças. Mas, vamos ver o que sai na hora”, revela. O trabalho de soldadura da arma será desenvolvido nos dias 25 e 26, na Universidade Católica de Brasília, que pode ter a participação de artistas locais e alunos. “Depois, quero que a obra seja leiloada e o dinheiro destinado a instituições que cuidam da educação de crianças em risco de exclusão social no Brasil”, conta.

A exposição saiu da Noruega pela primeira para vir ao Brasil e de Brasília segue para o Rio de Janeiro, onde ficará exposta na sede da Organização Não-Governamental Viva-Rio. Da Arma de Fogo à Arte é resultado de uma parceria entre a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República com a Embaixada da Noruega e pode ser visitada diariamente, das 9h às 18h.

Serviço

Da Arma de Fogo à Arte – Mostra com obras da artista plástica Janicke Olsen. No Salão Negro do Palácio da Justiça (Esplanada dos Ministérios), até sexta, com visitação diária das 9h às 18h. Entrada franca.

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    Janicke Olsen usa como matéria-prima para sua arte objetos inusitados: armas de fogo. Delas, cria peças de uso cotidiano, como relógios, móbiles, porta-jóias e até um tabuleiro de jogo de xadrez.

    Mas não são armas comuns. São revólveres que tenham matado alguém, armas que fizeram parte de conflitos na África, no Afeganistão. “Quando tinha 21 anos, meu noivo foi morto com um tiro em uma boate, na Noruega”, lembra. “Esse fato mudou a minha vida. Por isso decidi usar a arte para evitar que as pessoas esqueçam os crimes”, resume.

    Para atingir esse objetivo, Janicke expõe as obras com o histórico da arma ao lado. “Isso é para ver se as pessoas entendem as terríveis conseqüências desses objetos”, afirma. Cada objeto ocupará uma parede móvel e será acompanhado de um painel explicativo, inclusive com imagens das armas originais e informações sobre a utilização delas.

    Dois exemplos dos seus trabalhos: em 2003, Olsen transformou em arte uma arma que foi usada por uma criança que participou como soldado da guerra civil de Serra Leoa, na África. A peça foi exposta durante o Congresso Mundial da Associação de Polícia Internacional (IPA), realizado em Trondheim, na Noruega, no mesmo ano; em dezembro do mesmo ano, ela visitou o Afeganistão e recebeu três armas de fogo usadas pelos soldados do Taleban. Com a ajuda de artistas locais, fez esculturas na Universidade de Kabul. “Como ainda vivemos em um mundo onde as armas existem em grande quantidade, tento mudar sua utilidade para algo pacífico. Desejo transformar fisicamente estes utensílios, que são construídos para matar, em ferramentas úteis que, em sua nova forma, não são feitas para ferir uma pessoa”, pensa.

    Aqui em Brasília, além de mostrar as peças que já fez, Janicke irá realizar um workshop de dois dias para mostrar o processo de remodelagem de um revólver Taurus, usado em um homicídio ocorrido na cidade, em 2001. “Estou pensando em fazer um quebra-cabeças. Mas, vamos ver o que sai na hora”, revela. O trabalho de soldadura da arma será desenvolvido nos dias 25 e 26, na Universidade Católica de Brasília, que pode ter a participação de artistas locais e alunos. “Depois, quero que a obra seja leiloada e o dinheiro destinado a instituições que cuidam da educação de crianças em risco de exclusão social no Brasil”, conta.

    A exposição saiu da Noruega pela primeira para vir ao Brasil e de Brasília segue para o Rio de Janeiro, onde ficará exposta na sede da Organização Não-Governamental Viva-Rio. Da Arma de Fogo à Arte é resultado de uma parceria entre a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República com a Embaixada da Noruega e pode ser visitada diariamente, das 9h às 18h.

    Serviço

    Da Arma de Fogo à Arte – Mostra com obras da artista plástica Janicke Olsen. No Salão Negro do Palácio da Justiça (Esplanada dos Ministérios), até sexta, com visitação diária das 9h às 18h. Entrada franca.

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