Maria Rita está de volta a Brasília. A cantora, que hoje representa a nova voz da música popular brasileira, fará duas apresentações, hoje e amanhã, na Sala Villa-Lobos. O show é praticamente o mesmo que ela apresentou quando esteve aqui pela primeira vez, em novembro do ano passado.
“Mudei o figurino, mas acredito que a principal diferença será em relação ao clima do show. Estou mais madura. A apresentação será solta, divertida. O público irá perceber a mudança”, disse a cantora em entrevista ao Jornal de Brasília. “Antes do show que fiz aqui pela primeira vez, só tinha me apresentado em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre”, lembra.
Sobre o repertório, ele foi elaborado com as canções do disco Maria Rita, primeiro da carreira e que lhe rendeu três prêmios no Grammy Latino de 2004 (Revelação, Melhor Álbum de MPB e Melhor Canção com A Festa, de autoria de Milton Nascimento) e dois troféus do Prêmio Tim de Música 2004 (Revelação e Voto Popular). “Tirando essas músicas, interpretarei algumas canções que serão surpresa”, adianta.
Luto A cantora vive um momento de reclusão, após a morte de Tom Capone, seu produtor e diretor artístico. Ela foi uma das pessoas que estava com ele nos momentos que antecederam o acidente que o levou à morte, em Los Angeles, mês passado. “Foi uma perda muito grande. Estou triste até hoje. Perdi o chão. Além da relação profissional, éramos amigos e compadres. Tivemos filhos no mesmo dia”, conta Maria Rita. Segundo a artista, ela não conseguiu ainda pensar em um substituto para Tom.
“Estou correndo atrás, porque tenho uma carreira para continuar. Mas não estou pensando em projetos futuros ainda”, afirma. Ela trabalha com outros dois músicos de Brasília, Álvaro Alencar e Bernardo Palmeiro, ex-integrantes da banda Pânico. “É a turma do Tom, que me adotou”, brinca.
Maternidade Seu pensamento está voltado para o primeiro filho, Antonio, de três meses. “A maternidade me fez encarar a vida de outra forma. Passei a avaliar melhor o que é ou não importante. Estou mais alegre, mais responsável e tenho mais vontade de trabalhar, de viver e de criar”, disse.
Perguntada sobre a possibilidade de um projeto musical em família – ao lado dos irmãos Pedro Camargo Mariano e João Marcelo Bôscoli e do pai, César Camargo Mariano – ela diz ainda não ter pensado sobre isso. “Tenho tido somente projetos a curto prazo. Mas é uma idéia que pode ser trabalhada”, afirma.
O trabalho com a turnê do show está a mil. Não só no Brasil, mas mundo afora. Em novembro ela parte para Portugal e já tem apresentações marcadas em toda a América Latina, em fevereiro. Depois segue para a Europa, Estados Unidos. No segundo semestre, volta para a Europa, onde participará de festivais. “O disco cresceu muito lá fora. É impressionante a receptividade do público”, analisa.
ingressos O público afoito por ver a cantora ao vivo em Brasília vai pagar caro pelo show. O elevado valor cobrado pelo ingresso, R$ 130 (inteira) e R$ 65 (meia), assustou a artista. “O preço está mesmo alto. Isso me entristece um pouco”, disse a cantora.
Carlos Henrique, o produtor local, justifica. “Precisamos pagar 22 passagens aéreas, 22 quartos de hotel, R$ 4.800 no mínimo para o Teatro Nacional e ainda repassar 10% para o Ecad (órgão que fiscaliza os direitos autorais), 17% de Imposto de Renda, 2% de Imposto Sobre Serviço, fora o frete de todos os equipamentos de alta geração de som e luz que fazem o espetáculo”.