Um drama que poderia ocorrer com qualquer família. Três filhos se reúnem para celebrar o aniversário do pai. Mas, o que seria um dia alegre e feliz, torna-se um momento de amargura, ressentimentos e mágoa. É esse o enredo de Querido Estranho, filme nacional que estréia na próxima sexta-feira, com direção de Ricardo Pinto e Silva.
Daniel Filho vive Alberto, o protagonista amargo, beberrão e sincero (é o retorno do ator depois de 17 anos afastado do cinema). Suely Franco é Roma, a esposa dedicada, que tenta manter a família unida a duras custas. Ana Beatriz Nogueira é Tereza, a filha mais velha, independente, funcionária do governo do estado. Reconhecidos no teatro e no cinema, Claudia Netto e Emilio de Mello são os outros dois filhos.
Com uma trama densa, profunda e, às vezes, revoltante, o desfecho do longa fica mais dramático porque as reuniões da família estão sujeitas às reações tempestuosas de Alberto, um homem incapaz de esconder a visão cruel e sarcástica que tem dos próprios filhos. A situação é ainda mais delicada, pois, nessa mesma noite, a filha Zezé vai anunciar seu noivado com Carlos Alfredo, um viúvo quase cinqüentão.
O roteiro da comédia dramática foi inspirado na obra Intensa Magia, de Maria Adelaide Amaral. “Assisti à montagem do teatro há muitos anos e sempre quis fazer a adaptação para o cinema. Acho que o resultado ficou como eu previa: um filme que emociona”, afirma o diretor Ricardo Pinto e Silva. “Acho que é mais que isso. É um filme com o qual as pessoas se identificam”, completa a atriz Suely Franco. Para ela, há em toda família uma Roma, um Alberto, uma Teresa. “Se não é na sua família, é na do vizinho, na do amigo”, acredita.
O diretor concorda que o filme faça parte de uma nova fase do cinema nacional, que foge das comédias como Os Normais, Sexo, Amor e Traição e Viva Voz, das produções históricas (O Quatrilho, Carlota Joaquina, entre outros ) e dos filmes “regionalistas”, como Abril Despedaçado, Central do Brasil e Caminho das Nuvens. “É uma trama do cotidiano do brasileiro. Da família brasileira. Mas, poderia ser de qualquer família no mundo”, explica Ricardo Pinto e Silva.
O trabalho durou dois meses, desde a escolha do elenco. “Durante os primeiros 30 dias só ensaiamos. Fizemos uma leitura do roteiro tão legal que acrescentou sugestões fundamentais dos atores”, lembra o diretor. As outras quatro semanas foram dedicadas às filmagens, realizadas em estúdio. Querido Estranho estréia na sexta-feira em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Nos próximos meses, chega aos outros estados.