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Confira como foi o ano na telinha

Arquivo Geral

28/12/2006 0h00

Dois passos pra lá, dois pra cá. Assim foi a TV em 2006, que na onda dos reality shows estrangeiros colocou famosos e anônimos para dançar no ar. A atração de maior repercussão foi, sem dúvida, a Dança dos Famosos, exibida no Domingão do Faustão (Globo), que teve três edições. Para não perder a audiência conquistada, o programa também investiu em duas edições do Dança no Gelo, que consumiu R$ 2 milhões na montagem de uma pista nos estúdios da emissora. Para Gabriel Priolli, especialista em televisão, o mérito desses quadros foi humanizar a relação entre a estrela e o telespectador. "Retomou características da TV da década de 60, quando os artistas participavam de jogos e pareciam menos inatingíveis. O público gosta de perceber que eles são pessoas comuns, com dificuldades como as suas", avalia. O estudioso afirma ainda que a estréia do formato foi bem adaptada à realidade brasileira e, por isso, bem-sucedida.

A aprovação do público veio em números. A Dança dos Famosos é considerada um dos maiores sucessos do Domingão do Faustão nos últimos anos, com audiência acima de 40 pontos. "Estamos satisfeitos com o sucesso dos quadros, que conquistaram o telespectador. Os atores se envolveram com paixão na dança", afirma Jayme Praça, diretor da atração. O ator Stepan Nercessian, que participou da terceira edição, diz que nunca teve um retorno tão grande do público. "Senti-me como um astro da música sertaneja, que tem de parar para tirar foto e dar autógrafo o tempo todo."

A Record preferiu colocar anônimos para dançar, no Reality Dance, que estreou em julho. No quadro, do programa Hoje em Dia, de Ana Hickmann, Brito Jr. e Eduardo Guedes, seis casais competiam durante uma semana, em uma disputa de dança de salão. A melhor dupla recebia R$ 5 mil. As cinco melhores se enfrentaram na última semana, por um carro 0 km.

Para fazer o mesmo, de modo diferente, o Tudo É Possível, comandado por Eliana na Record, lançou o Dança Sobre Patins e, em seguida, o No Ritmo da Copa. Os quadros deram tão certo que originaram o Dançando em Hollywood, desta vez com famosos. O SBT mostrou reação em outubro, lançando Bailando por um Sonho, versão do Dancing with the Stars (BBC), com famosos e anônimos.

Ex-BBB

Depois de conquistar o telespectador no Big Brother Brasil, Grazieli Massafera aceitou o convite da Globo e passou um ano na oficina de atores da emissora, preparando-se para a estréia em novelas. Hoje, há três meses no ar como a recatada Thelminha, de Páginas da Vida, a moça não deixa a desejar. "Reconheci o talento e empenho dela assim que a conheci. Ela superou minhas expectativas mais otimistas e, por isso, seu papel ganhou mais importância", elogiou o autor Manoel Carlos.

A confiança do autor revela um cenário bem diferente do sentido pela estreante nas primeiras aparições de Thelma, quando ela confessou se sentir insegura com a nova carreira. "Ela é muito bonita e determinada", definiu Marcos Paulo, colega de elenco e diretor da Globo.

Plástica por computador

Um novo programa de computador virou hit nas produções globais: o baselight. Além de possibilitar uma "plástica eletrônica" no elenco de Páginas da Vida, também deu textura parecida com película de cinema às cenas de Sinhá Moça. Trata-se de um equipamento holandês, que foi importado pela emissora há dois anos e que tem múltiplas funções. Entre elas, as principais vantagens são permitir o trabalho com imagens de alta definição e a correção de cores e de iluminação das cenas já gravadas, na hora da edição. Considerado o que há de mais moderno na tecnologia de tratamento de imagens, o software favorece o desempenho de atores e diretores, eliminando manchas e rugas e permitindo a modificando dos cenários depois da captação das imagens.

"Esse programa significa um grande avanço, um passo na direção da implantação da TV digital, que deverá ser concluída até o final do ano que vem", diz Stepan Nercessian.

A queridinha das oito

Depois de uma passagem pelo programa Fantasia (SBT), por Malhação (Globo) e comerciais, Fernanda Vasconcellos termina 2006 como uma das grandes revelações da TV. A atriz precisou de apenas 23 capítulos para conquistar o Brasil e ganhar um papel fixo na trama Páginas da Vida (Globo), de Manoel Carlos.

Enquanto Fernanda ganhou fama às oito, Lázaro Ramos caiu no gosto do povo como o hilário Foguinho. Não foi raro ouvir nas ruas as pessoas se referindo a Cobras & Lagartos, a maior audiência das sete nos últimos dez anos, como a novela do Foguinho.

"Ele é um ator excelente, que fez um papel difícil com maestria, sem cair na caricatura. Também foi ótima a parceria com Taís Araújo, que estava magnífica como Ellen", avalia a pesquisadora Maria Lourdes Motter, do núcleo de estudos de telenovela da USP.

O ator e diretor Marcos Paulo também é só elogios ao colega: "O Lázaro foi o destaque do ano, ao lado dos atores baianos (Wagner Moura e Bruno Garcia) dessa geração, que ainda vão dar muito o que falar", aposta.

Ainda entre as revelações estão as atrizes Pérola Faria (Gisele) e a ex-"BBB" Grazi (Thelminha), ambas em Páginas da Vida.

Mesmo sem serem estreantes, alguns atores também se destacaram em 2006 por terem encarado desafios. É o caso de Reynaldo Gianecchini e Flávia Alessandra. Ele como o Pascoal de Belíssima, e Flávia como a vilã Cristina, de Alma Gêmea. "Ele mostrou a todos que ainda tinham alguma dúvida o ótimo ator que é", diz o autor Silvio de Abreu. Flávia considera 2006 seu melhor ano. "Foi uma fase de apostas e do encontro no amor", fala. 

Fernanda Vasconcellos foi contratada para fazer a primeira fase de Páginas da Vida. Daria luz aos gêmeos e depois desapareceria. Com o sucesso de sua personagem, Nanda, sua morte, prevista para o 20º capítulo, acabou sendo adiada e ela ganhou espaço na trama. Ficou no ar como espírito, protegendo os filhos.

O reconhecimento ao trabalho da atriz tem números. O primeiro pico de audiência da novela foi registrado no dia em que Nanda apanhou de Marta (Lilia Cabral): 54 pontos de audiência já no primeiro mês de exibição.

"Ela ficou um mês no ar reinando plenamente. Essa menina vai longe", diz o autor, Manoel Carlos. "Fernanda é a grande revelação da novela. É muito difícil um ator roubar a cena em tão pouco tempo", faz coro o ator Marcos Paulo, o Doutor Diogo, da mesma novela.

Record marcou posição

Este foi o ano das novelas. A afirmação é de especialistas de TV, que apontam o investimento em teledramaturgia como o grande destaque de 2006. Para eles, ao voltarem seus olhos para a área, as emissoras deram mais opções e qualidade aos telespectadores.

Líder em audiência, a Globo viu a Record abrir um estúdio no Rio de Janeiro e colocar três tramas simultaneamente no ar. Um caminho que já vinha traçando. Além das duas, Band e SBT também tiveram produções próprias.

"A competição acabou gerando aumento da qualidade, com mais opções para o telespectador", afirma Gabriel Priolli, especialista em TV. Stepan Nercessian, ator e presidente do Sindicato dos Artistas do Rio, faz coro: "Demos bons passos ao futuro da TV, aumentando a produção nacional, o que é positivo de todos os pontos de vista. Cresceu o mercado, a qualidade e a variedade de produções", diz.

Para o sociólogo Laurindo Leal Filho, da USP, outro ponto positivo é que "o aumento do número de novelas proporcionou a redução dos programas sensacionalistas policias nas redes nacionais". "Mas o sensacionalismo continuou no jornalismo", alfineta.

O ator Tony Ramos, 43 anos de carreira, faz ressalvas: "A manutenção desse panorama depende de todas as emissoras, que precisam continuar investindo. Fazer TV é caro e difícil. É preciso boa vontade e paciência".

Mesmo sem altos índices de audiência, a Band está otimista. "Estamos muito satisfeitos com Paixões Proibidas, que marca a nossa retomada da dramaturgia. A conquista de audiência é um processo contínuo, cumulativo, de médio prazo. O importante foi termos mostrado nossa capacidade de produção", afirma Juca Silveira, diretor de programação da emissora.

Periferia

A periferia se consolidou na televisão brasileira em 2006. Para especialistas, porém, nem sempre o destaque na TV pode ser visto como uma coisa boa. O programa Central da Periferia (Globo), comandado por Regina Casé, é apontado como a maneira correta de colocar o tema no ar. Por outro lado, a série Antônia, fenômeno recente da Globo, e a novela Vidas Opostas (Record), afirmam, é uma retomada do que já havia sido feito em 2002, em Cidade dos Homens (Globo) e Turma do Gueto (Record). "São programas que mostram que na periferia vivem pessoas comuns, apenas mais pobres. O maior mérito de Central da Periferia é mostrar que existe riqueza de criatividade. Ele valoriza expressões culturais marginalizadas, que entram no centro", avalia Gabriel Priolli, especialista em TV.

Para o sociólogo Laurindo Leal Filho, as produções que abordam a periferia chegaram para atender a uma necessidade econômica. "Usá-la como tema contribui para a inclusão desse público no mercado consumidor. Os efeitos benéficos só virão quando a periferia aparecer como produtora de suas próprias atrações", critica.

Invasão da rebeldia mexicana

Apesar de muitos atores terem se destacado na TV, apenas uma turma de atores-cantores conseguiu a alcunha de fenômeno. Foram os mexicanos Anahí, Maite, Dulce María, Christian, Christopher e Alfonso, da novela Rebelde, exibida pelo SBT. Integrantes do grupo RBD, nascido na trama, eles influenciaram muitos adolescentes, que passaram a imitá-los no jeito de se vestir e também de se comportar.

Mas o tamanho do fenômeno só foi medido após uma tragédia: em fevereiro, na primeira visita do grupo ao Brasil – ainda sem status de estrelas –, três fãs foram mortos e 40 ficaram feridos em um tumulto, durante uma apresentação em um shopping na Zona Sul de São Paulo.

Na época, Rebelde atingia sua maior audiência no SBT, com médias de 12 a 15 pontos. Aproveitando a febre, a banda RBD voltou ao País em outubro para uma turnê em 12 estados, que foi encerrada com um show para mais de 50 mil pessoas no Maracanã (Rio). Em São Paulo, levaram 41 mil ao Morumbi. "Gravamos um DVD e recebemos um disco de ouro pelos 2 milhões de CDs vendidos no Brasil", disse Anahí, após chegar ao México.

"Essa novela é um produto comercial, que visa a vinculação de inúmeros produtos, como roupas, sapatos e CDs. Assim como outros fenômenos, como Carrossel e Chiquititas, é feito para isso, para virar mania entre o público", avalia a pesquisadora Maria Lourdes Motter, da USP.

Rebelde terá o último capítulo exibido no dia 29 deste mês – isso se Silvio Santos não mudar de idéia.

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