A dança flamenca contemporânea tem em Antonio Márquez seu maior expoente. Em 1995, o bailarino espanhol criou a companhia que leva seu nome e desde então tem encantado platéias em países da Europa, no Japão e também no Brasil, por onde passou em 2001 e 2003. Mais uma vez no País, para uma turnê por sete cidades, a Companhia Antonio Márquez se apresenta quarta e quionta-feiras na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. No palco, ao longo de uma hora e 40 minutos, serão três espetáculos: Fiesta Flamenca, La Vida Breve e Bolero.
Antonio Márquez nasceu no ano de 1963, na cidade espanhola de Sevilha. Ainda criança foi morar em Ibiza, onde começou suas aulas de dança. Aos 18 anos, ele ingressou no Balé Nacional Espanhol, em Madri, e em 1982 estreou como solista. Lá, Márquez interpretou os principais papéis dos espetáculos montados pelo balé.
Ao longo da década de 80, seu interesse pela experimentação – característica marcante em sua carreira – o levou a participar de diversos outros grupos pela Europa e até no Japão. Em 1995, ele criou a Companhia Antonio Márquez, grupo que, desde então, vem se apresentando pelo mundo, colecionando prêmios e elogios de público e crítica.
Em Fiesta Flamenca, destacam-se as raízes e formas do balé flamenco. Sobre La Vida Breve e Bolero, Márquez observa terem “uma ampla utilização da técnica, sem esquecer a energia da dança espanhola.” La Vida Breve é adaptação do bailarino para uma obra do compositor espanhol Manuel de Falla (1876-1946). Já Bolero traz, da composição de Maurice Ravel, sua poderosa força expressiva. No palco, o personagem de Márquez surge em um cenário de incertezas, enquanto música e dança dialogam. “É uma peça muito sensual, passa uma energia especial, e por isso é apresentada por último, para fechar o espetáculo com uma grande força”, explica.
No palco, Márquez estará acompanhado por mais 16 bailarinos e ainda quatro músicos, que interpretarão a trilha sonora dos espetáculos. Para o espanhol, a música ao vivo ajuda na conexão entre os artistas e o público. “A transmissão é muito mais autêntica se é passada pelo intérprete – seja bailarino ou músico. O canto, o balé e a música precisam estar juntos para que a energia possa fluir.”
Conhecido pela intencidade de suas performances, Antonio Márques afirma que o flamenco é algo interno, racial. “A função do bailarino é a de passar esse sentimento ou emoção ao público. Quanto melhor for a maneira de mostrar esse sentimento, melhor será o resultado. O flamenco é uma simbiose da alma e da técnica. Não adianta ter atrativos, se o bailarino não tiver os meios necessários para transmiti-los.”
Antonio Márquez – Dias 23 e 24 de maio, às 21h, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia).