Não é fácil um grupo de teatro completar dez anos em Brasília. Passam por dificuldades financeiras, falta verba para divulgação, compra do figurino, entre outros. Mas a companhia O Bicho Pirô conseguiu. E para comemorar, eles reestréiam o espetáculo Elas, Uma Comédia Cor-de-rosa. As apresentações serão de hoje a domingo, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional.
Criado e coordenado pelo ator e diretor Lívio di Araújo, a companhia traz no currículo mais de 20 espetáculos realizados na cidade. Já fizeram muitos espectadores se divertirem com Motel Colorado, Pra Gozar de Rir e Um Homem Maior Que o Mundo.
Até o ano passado, O Bicho Pirô era apenas um grupo de teatro. Agora, é uma Associação Cultural que, além do grupo profissional, mantém um grupo amador e uma oficina de teatro gratuita para menores e jovens carentes.
De acordo com o diretor, no começo, uma das maiores dificuldades era a divulgação dos trabalhos artísticos. Para ajudar quem está começando, o grupo criou um jornal cultural quinzenal, o Boca de Cena. São 40 mil exemplares distribuídos gratuitamente. “Fazemos matérias sobre os artistas da cidade, sobretudo dos amadores”, explica Lívio.
Elas, Uma Comédia Cor-de-rosa conta a história de Guiomar, uma mulher submissa que descobre, depois de anos de casamento, que foi traída pelo marido. Infeliz, resolve sair de casa e vai dividir aluguel com quatro homossexuais que se encontram em dificuldades financeiras.
Com os novos amigos, Guiomar compreende o sentido da vida. Transforma-se em uma outra pessoa e aprende coisas sobre relacionamento. “Ela aprende a ser mulher com quatro homossexuais. É diversão da primeira até a última cena”, garante Lívio.
O espetáculo é uma comédia de 1999, sem recurso para ser montada, que obteve grande sucesso de público. Em 2000, com apoio da Anatel, o grupo se apresentou por mais um ano. A reestréia deste ano conta com apoio do Fundo de Arte e Cultura (FAC) e de lojas da cidade. “A produção está bem legal, completamente diferente, só conservamos o texto”, diz Lívio.
No elenco, além do diretor, tem o produtor Hendel Miranda e os atores brasilienses Ricardo Lucas, Matheus Barros, Anamaria Cunha e participação especial de Plínio Mósca. A peça toca em assuntos polêmicos como a Aids e o preconceito de forma leve. “A gente apostou num trabalho para que o público não tivesse apenas diversão, mas uma produção merecedora de comemorar dez anos de um grupo”, conclui o diretor.