Lulu Santos é um fenômeno do universo pop brasileiro. É daqueles artistas que, mesmo sumido da mídia, esta sempre presente nos bate-papos de quem gosta de rock nacional. Isto se explica por que o irrequieto cantor é uma verdadeira fábrica de hits. E se você é ligado em sucessos, o recém-lançado Lulu Santos MTV ao Vivo é uma ótima pedida.
O novo trabalho de Lulu não prima exatamente pelo novo. Os fãs incondicionais do músico vão se esbaldar com um desfile das canções mais manjadas do repertório do carioca. Está quase tudo lá, da velha, na idade, Toda Forma de Amor até a mais recente Já é, passando pelas inevitáveis Tempos Modernos e Sincero.
O único momento em que Lulu foge da mesmice é na faixa bônus Sem Nunca dizer Adeus, aliás, uma de suas mais desinspiradas composições, na qual se salva apenas a brincadeira linguística na frase “ficar andando ao Deus dará, sem nunca dar adeus.
Este MTV ao Vivo não ousa um centímetro. É o Lulu Santos de sempre, acomodado e lambendo as crias. Mesmo onde poderia dar uma chacoalhada no repertório, no caso os arranjos, ele mantém-se fiel ao passado. Tudo bem que é um trabalho marcado pela despretensão e pelo revisionismo da carreira, mas bem que Lulu podia ter mudado o andamento de algumas músicas ou ter injetado nelas umas batidas ou ritmos diferentes. A impressão que se tem é que, no final das contas, é que o resultado deste projeto ao vivo é preguiçoso.
É bom que se diga que a preguiça criativa das releituras não se projeta na performance do artista e dos músicos competentíssimos que o acompanha. Assim como no caso do set list do CD, Lulu continua o mesmo grande entertainment, com energia e vitalidade que parecem saltar do disco. O carismático compositor é imbatível no palco e ele aproveita essa interação natural com a platéia para dar um claro ganho às suas interpretações neste trabalho.
Por tudo isso, o Lulu linha MTV é um disco de festa. Bom pra pular e para cantar junto. Aliás, em muitos momentos do CD, a “galera” faz coro uníssono e afinado com o artista. Para quem gosta de canções pop prá cima, vai ser impossível ficar parado com a seqüência matadora de Toda Forma de Amor, Um Certo Alguém e O Último Romântico.
Se o disco não acrescenta nada à profícua carreira de Lulu Santos, ele deveria pelo menos servir para que as novas gerações – que adoram detratar o cantor – possam ouvi-lo com mais cuidado e sem preconceito. Essa é uma consideração, ou melhor, uma dívida que a juventude tem para com quem escreveu um importante capítulo do rock nacional. Dificilmente os novos ídolos desses jovens vão encontrar um músico tão íntimo do sucesso e com tantas canções pop perfeitas.