Lançado internacionalmente em 2005, Inferno, de Danis Tanovic (Terra de Ninguém) chega com atraso ao circuito comercial brasileiro: o filme estréia nesta sexta-feira com sessões no Cine Academia de Tênis, e no Embracine CasaPark.
O filme enfoca os infernos vividos por três irmãs em Paris. Sophie (Emmanuelle Béart), a do meio, tem dois filhos mas enfrenta uma crise no casamento depois que descobre a traição do marido; a primogênita, Céline (Karin Viard), é uma mulher estranha e solitária que vive para cuidar de sua mãe inválida (Carole Bouquet); e a caçula Anne (Marie Gillain), por fim, uma jovem loucamente apaixonada por um homem mais velho, seu professor na faculdade.
Mas as três mal se encontram no decorrer do filme – e nada leva a crer que, na verdade, elas são irmãs. Aos poucos, porém, o filme revela uma ligação muito forte entre as três mulheres e a razão de seus infernos particulares – conseqüência de um equívoco que viveram na infância.
A trama de Inferno, ornada por diálogos que misturam filosofia e história (algo que remete à Denys Arcand, em Invasões Bárbaras) é enigmática e envolvente. Muitas cenas em primeiro plano e a música intimista criam um ambiente misterioso, muito explorado pelo mestre Alfred Hitchcock. Danis Tanovic, entretanto, dá uma nova linguagem ao que entende-se por filme de mistério, mesclando suspense (muito presente na trilha sonora, assinada pelo diretor, com Dusko Segvic), romance e diálogos sofisticados.
O roteiro de Inferno, inspirado na obra-prima A Divina Comédia, de Dante Alighieri, faz parte de uma trilogia – que conta ainda com Paraíso e Purgatório – idealizada pelo mestre polonês Krzysztof Kieslowski (Trilogia das Cores), que morreu (em 1996) antes de realizá-la. Agora, cabe a outros diretores colocar a idéia em prática. A primeira, Paraíso, foi filmada em 2001, com direção de Tom Tykwer.