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Com 25 anos, o CD chega à marca de 200 bilhões de unidades vendidas

Arquivo Geral

21/08/2007 0h00

Pergunte a uma turma da faixa etária média de 20 anos se alguém conhece um LP. Se sentir dificuldade em se fazer entender, esclareça: “disco de vinil”, “bolachão”. Aposte que pouca gente vai saber. Natural. Há 25 anos, em agosto de 1982, a Philips iniciava em Hanover, na Alemanha a primeira produção dos compact discs, os CDs. Para a época, foi uma revolução no mercado mundial.

O primeiro produto gravado sob aquele novo e curioso formato, hoje corriqueiro em qualquer banca de esquina, foi Uma Sinfonia Alpina, do compositor erudito alemão Richard Strauss, sob regência do maestro Herbert von Karajan. Mas no mercado, quem estreou a novidade foi o legendário grupo pop sueco Abba, que emplacou o CD The Visitors.

Dois anos antes da produção desse CD, a Philips e a Sony haviam lançado o Red Book (Livro Vermelho), que já tinha todos os padrões para o CD. Lançada a novidade com um grupo de tão bom apelo como o Abba, pouco tempo depois, em 1985, a banda britânica Dire Straits já contabilizava o sucesso do novo formato: o CD Brothers In Arms  foi o primeiro a superar a marca de um milhão de cópias vendidas.

Primórdios
“Quando começamos, não havia nada”, lembra o engenheiro Pieter Kramer, líder do grupo de pesquisas ópticas dos laboratórios Royal Philips Electronics NV, da Holanda. “No final dos anos 70 e início da década de 80, jamais tínhamos pensado que um dia a indústria do entretenimento e da informática optaria pelo CD digital para armazenar o volume crescente de programas e filmes”. Responsável pelas pesquisas de viabilidade de produção do CD em parceria com a Sony, ele comenta que o  projeto que levou o áudio digital para as massas foi fruto de uma técnica arriscada.

Os chips semicondutores propostos, necessários para os CDs players, foram considerados o maior avanço de todos os tempos em produtos para os consumidores. Num primeiro momento, a Sony contribuiu com a codificação digital que permite a reprodução suave e sem erros das músicas, enquanto a Philips – que detém até hoje os direitos sobre o Red Book e suas outras atualizações, como as utilizadas para o formato CD-ROM – desenvolveu o volume do disco e a tecnologia a laser.

O design teve inspiração nos discos de vinil: como as ranhuras de uma gravação, os CDs são marcados com uma espiral de sinais scaneados por um laser – o equivalente às agulhas dos vinis. A luz refletida é codificada em milhões de números 0 e 1, formando um arquivo digital. Como esses sinais são cobertos com plástico e a luz do laser não retira essa proteção, o CD nunca perde qualidade.

Curiosidades
Inicialmente, a Philips desenvolveu a idéia de gravações digitais de imagens e produziu um CD a cores e com um tamanho de 33 rotações. Mas o videodisco não atraiu o público, o que fez os engenheiros da Philips trabalharem na criação de um disco menor destinado unicamente para o áudio. Na primeira fornada, a Philips produziu apenas 200 CDs, principalmente de música clássica, cuja qualidade sonora superior era antes de tudo voltada para os amantes da música.

Esses se entusiasmaram mais que os amantes do pop e do rock e, segundo as previsões da Philips, estariam mais inclinados a comprar CD players, mais caros que as vitrolas e radiolas, cujos primeiros modelos não custavam menos de 2 mil florins (ou seja 1,5 mil euros hoje).

Queda
“O CD era um produto fácil de ser comercializado”, observa Lucas Covers, atual chefe de marketing de eletrônicos para consumidores da Philips, que destaca: “Não era apenas a qualidade do som, mas os discos pareciam jóias se comparados aos LPs.”

Tantas águas passadas, o fato é que o CD praticamente aposentou o disco de vinil. De lá até nossos dias, para se ter uma idéia, foram vendidos, em todo o mundo, mais de 200 bilhões de CDs. “Isso começou de maneira pequena, como a maior parte das revoluções”, atenta Paul Solleveld, porta-voz da empresa holandesa de entretenimento NVPI.

Hoje, o CD continua sendo a maior base dos discos, apesar do crescimento da obtenção de músicas pela internet. Apesar do sucesso durante muito tempo, o futuro do CD em uma era de  iPods e outros MP3 players parece estar cada vez mais em dúvida.

Depois de tanto sucesso, a criação pode ver o fim de seus dias de glória. “O MP3 e todos esses pequenos aparelhos que as crianças carregam em seus bolsos podem substituí-lo, definitivamente”, afirmou Pieter Kramer, hoje aposentado. Mas ele se diz satisfeito por testemunhar a longa jornada do CD ao topo, sabendo que teve uma participação na criação. “Nunca se sabe o quanto um padrão irá durar. O CD era sólido e bom. Ainda é.”

Solleveld, mesmo  diante dos números que atestam o recuo das vendas de CD em função da facilidade de acesso a arquivos de MP3, crê que o produto CD sempre terá seu lugar.

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